29.6.05


1990 e 1995 (Alvalade), 2003 (Coimbra), 2006 (?)....
Sometimes, we can get what we want Posted by Hello

28.6.05

Portugal e o "Rating"

A revisão em baixa do "rating" da S & P para a República Portuguesa, de AA para AA-, só tem uma leitura possível:
  • a economia portuguesa não garante estabilidade e capacidade de resposta aos problemas económicos que atravessa;
  • só é possível que o "rating" tenha sido fixado no patamar AA-, mais por efeito directo da zona euro, do que por mérito próprio da economia portuguesa;
  • caso a economia europeia se mantenha com crescimentos muito baixos, o residual possitivo para a nossa economia será insuficiente (estamos hoje totalmente dependentes das performances dos mais fortes países europeus, nomeadamente Alemanha) para respondermos cabalmente às crescentes necessidades e à erosão que a actividade económica vem apresentando;
  • na situação actual é com crescente dificuldade que as empresas portuguesas mantêm as suas quotas no mercado interno, pelo que o encerramento de empresas e a consequente perca de postos de trabalho são uma evidência.

Têm razão todos os que dizem que não é grave a revisão da classificação da nossa economia, aos olhos dos agentes económicos internacionais, como têm razão todos os que dizem que é grave.

Paradoxal? Nem tanto! O problema reside em Portugal, numa economia que não apresenta problemas conjunturais porque serão já todos estruturais, ou quase.

Assim, o que ambos os lados afirmam é que a revisão em baixa era espectável, sendo que para uns temos de nos habituar a viver com esse horizonte e, para os outros, o Sol há muito se foi e a classificação AA- ainda peca por excesso e, assim sendo, diminuindo a boa vontade diminuirá a confiança na nossa economia, na proporção directa do aumento do custo da dívida pública.

A situação é galopante, como em todas as tesourarias depauperadas.

27.6.05


James Longueville Posted by Hello

Jeito de escrever

Não sei que diga.
E a quem o dizer?
Não sei que pense.
Nada jamais soube.

Nem de mim, nem dos outros.
Nem do tempo, do céu e da terra, das coisas...
Seja do que for ou do que fosse.
Não sei que diga, não sei que pense.

Oiço os ralos queixosos, arrastados.
Ralos serão?
Horas da noite.
Noite começada ou adiantada, noite.
Como é bonito escrever!

Com este longo aparo, bonitas as letras e o gesto - o jeito.
Ao acaso, sem âncora, vago no tempo.
No tempo vago...
Ele vago e eu sem amparo.
Piam pássaros, trespassam o luto do espaço, este sereno luto das
horas. Mortas!

E por mais não ter que relatar me cerro.
Expressão antiga, epistolar: me cerro.
Tão grato é o velho, inopinado e novo.
Me cerro!

Assim: uma das mãos no papel, dedos fincados,
solta a outra, de pena expectante.
Uma que agarra, a outra que espera...
Ó ilusão!
E tudo acabou, acaba.
Para quê a busca das coisas novas, à toa e à roda?

Silêncio.
Nem pássaros já, noite morta.
Me cerro.
Ó minha derradeira composição! Do não, do nem, do nada, da ausência e
solidão.

Da indiferença.
Quero eu que o seja! da indiferença ilimitada.
Noite vasta e contínua, caminha, caminha.
Alonga-te.
A ribeira acordou.


(Irene Lisboa)

26.6.05


(Sittin' On) The Dock Of The Bay
Sittin in the morning sun,
I`ll be sittin' when the evening come,
Watching the ships roll in,
And I'll watch 'em roll away again, yeah,
I'm sittin' on the dock of the bay,
Watching the tide roll away, ouh,
I'm just sittin' on the dock of the bay,
Wasting time.
I left my home in Georgia,
Headed for the Frisco bay
I have nothing to live for,
Look like nothings gonna come my way,
So I'm just go sit on the dock of the bay
Watching the tide roll away,
I'm sittin' on the dock of the bay,
Wasting time
Look like nothings gonna change,
Everything still remain the same,
I can't do what ten people tell me to do,
So I guess I'll remain the same, yes,
Sittin' here resting my bones,
And this loneliness won't leave me alone, yes,
Two thousand miles I roam
Just to make this dock my home
Now I'm just go sit at the dock of the bay
Watching the tide roll away, ooh
Sittin' on the dock of the bay
Wasting time
Otis Redding

25.6.05


Mark Rowbotham Posted by Hello

Poema

...
O Sweetheart, hear you
Your lover's tale;
A man shall have sorrow
When friends him fail.

For he shall know then
Friends be untrue
And a little ashes
Their words come to.

But one unto him
Will softly move
And softly woo him
In ways of love.

His hand is under
Her smooth round breast;
So he who has sorrow
Shall have rest.
...
(James Joyce)

PREOCUPAÇÕES LEGÍTIMAS....DE TODOS NÓS

O Governo mostra-se preocupado com o previsível crescimento da "economia paralela", provocado pelo aumento da taxa de IVA para 21%.
Por outras palavras, muito mais puras e cristalinas:
O GOVERNO ESTÁ PREOCUPADO COM AS MEDIDAS QUE TOMA!

24.6.05

[31] The Jazz Mansion


Benny Carter, 1936 Posted by Hello

Symphony in Riffs - partitura dos "altos"
(Benny Carter) Posted by Hello
Bom Dia...

Sherre Daines Posted by Hello

"O PARADIGMA HIPÓCRITA" OU "UM ESTADO SEM PRESTÍGIO"

  • A execução de funções no sector público, quaisquer que sejam, não têm um reconhecimento nem uma aprovação idênticas, por parte da opinião pública, a serviços equivalentes prestados na actividade privada. A constatação comprova-se pela diferença remuneracional, desfavorável ao funcionário público, que nenhum governo se atreve a alterar.
A remuneração moral e prestígio social desapareceram há 30 anos.
  • Os funcionários públicos, conscientes do mau funcionamento do Estado, acabaram por perder o respeito por si próprios, projectando esse mesmo sentimento no utente público (fenómeno igualmente erosivo vive a Banca há cerca de 10 anos, ao nível do balcão e da figura do gestor de conta).
  • Numa tentativa de minimizar as profundas alterações sofridas pelo estatuto de funcionário público ao longo dos anos, defende-se por vezes o modelo francês, forçosamente hipócrita não só por definição (é francês) mas pela manifestação da vontade de querer "mostrar" uma Administração apolítica, modelo que supostamente salvaguarda os interesses dos utentes e do País, justificando assim a "queda" de importancia da função pública como um ajustamento das relações entre as esferas pública e privada.
  • Desta forma e muito rápidamente chega-se a um modelo em que a elite nacional não nasce no desempenho de altas funções do estado, transitando mais tarde para o sector privado, mas ao modelo inverso, onde os gestores privados, consumadas as suas fortunas, vêm ser aplicadas as suas competências na gestão de negócios privados à defesa dos interesses públicos. Parecendo à primeira vista uma fórmula crível de ser utilizada não resiste, contudo, à análise da interpretação fria que conduz à conclusão que, com semelhante modelo, se desdenha a capacidade de evolução dos escalões hierárquicamente inferiores na Administração Pública.
  • Não existindo evolução dentro da função pública, a nomeação de "estrelas" do sector privado, na forma de "past" qualquer coisa, desde administradores até consultores, pretende muito menos passar competencias do privado para o público e, muito mais, embelezar o Estado aos olhos dos cidadãos - que não dos funcionários - transmitindo-lhe um prestígio que o Estado já não tem condições de conseguir por si próprio.
  • Por outro lado, esta fórmula encerra em si mesma uma enorme dose de veneno: ao aceitarem lugares públicos, os gestores não conseguem fazer do Estado uma empresa mas transmitem a exacta noção que o Estado só é credível se se parecer com uma empresa. Contudo, no Estado exige-se uma clara distinção entre o escalão executivo e o poder decisório, princípio que colide claramente com a administração e gestão das empresas. Estaremos, assim, perante uma clara contradição.
  • Perdida a dignidade de outrora, a autoridade e reconhecimento social de depositários do interesse público, concorrendo com interpretes que chegam constantemente do exterior e que bastas vezes são instrumentos de manipulação de interesses privados, os funcionários públicos acabam por se amesquinhar, definhar, concorrendo para um mau funcionamento público, para um arrastar de processos, tornando-se no alvo fácil - "the sitting duck" - das associações patronais e empresariais e dos políticos afanosos em passar um discurso populista, que pareça sofisticado, mas que na realidade enferma da capacidade de determinar sériamente quais os verdadeiros problemas da Administração e do Estado moderno, da degradação da sua imagem e da incapacidade de encontrar um modelo alternativo.
Se é que existe um verdadeiro interesse em reformar a Administração Pública.

21.6.05

CITANDO UM GRANDE AMIGO

Os homens providenciais, na vida como na morte, roubam-nos a liberdade de os criticar...

[Nº 22]

Nascido em 21 de Junho de 1905...

Jean-Paul Sartre Posted by Hello
Jean Paul Sartre não teve filhos. Ninguem que tenha filhos "está só, abandonado na terra" nem os intentos que se fixam são os mesmos depois de se ter filhos, nem os destino que forjamos para nós são os mesmos. Tudo se relativiza e muitas vezes a ordem se prioridades inverte-se ou até deixa de fazer sentido. Há objectivos maiores. Plus. Em Sartre tudo foi uma farsa, até o casamento que todos julgavam ideal com Simone do Beauvoir (vide livro que ela escreveu logo após a sua morte). Há pensadores assim; pensadores da Utopia, mas que seria da vida sem utopia?? No dia em que cada homem só contar consigo próprio estaremos reduzidos a uma sociedade egoista, ditatorial, contrária a todos os valores democráticos e distituida de humanismo.
BlahBlahBlah

JEAN-PAUL SARTRE

" O Homem não obterá nada a não ser que primeira entenda que só pode contar consigo próprio; que está só, abandonado na terra no centro das suas infinitas resonsabilidades, sem ajuda, com nenhum outro intento que não o que ele próprio fixa, sem nenhum outro destino que não o que forjou para si próprio nesta terra."
De "Ser e Não-Ser" (1943)

20.6.05

POEMA

Disse-te adeus e morri
E o cais vazio de ti
Aceitou novas marés.
Gritos de búzios perdidos
Roubaram dos meus sentidos
A gaivota que tu és.


Gaivota de asas paradas
Que não sente as madrugadas
E acorda à noite a chorar.
Gaivota que faz o ninho
Porque perdeu o caminho
Onde aprendeu a sonhar.


Preso no ventre do mar
O meu triste respirar
Sofre a invenção das horas,
Pois na ausência que deixaste,
Meu amor, como ficaste,
Meu amor, como demoras.


(Vasco Lima Couto)