24.6.05

[31] The Jazz Mansion


Benny Carter, 1936 Posted by Hello

Symphony in Riffs - partitura dos "altos"
(Benny Carter) Posted by Hello
Bom Dia...

Sherre Daines Posted by Hello

"O PARADIGMA HIPÓCRITA" OU "UM ESTADO SEM PRESTÍGIO"

  • A execução de funções no sector público, quaisquer que sejam, não têm um reconhecimento nem uma aprovação idênticas, por parte da opinião pública, a serviços equivalentes prestados na actividade privada. A constatação comprova-se pela diferença remuneracional, desfavorável ao funcionário público, que nenhum governo se atreve a alterar.
A remuneração moral e prestígio social desapareceram há 30 anos.
  • Os funcionários públicos, conscientes do mau funcionamento do Estado, acabaram por perder o respeito por si próprios, projectando esse mesmo sentimento no utente público (fenómeno igualmente erosivo vive a Banca há cerca de 10 anos, ao nível do balcão e da figura do gestor de conta).
  • Numa tentativa de minimizar as profundas alterações sofridas pelo estatuto de funcionário público ao longo dos anos, defende-se por vezes o modelo francês, forçosamente hipócrita não só por definição (é francês) mas pela manifestação da vontade de querer "mostrar" uma Administração apolítica, modelo que supostamente salvaguarda os interesses dos utentes e do País, justificando assim a "queda" de importancia da função pública como um ajustamento das relações entre as esferas pública e privada.
  • Desta forma e muito rápidamente chega-se a um modelo em que a elite nacional não nasce no desempenho de altas funções do estado, transitando mais tarde para o sector privado, mas ao modelo inverso, onde os gestores privados, consumadas as suas fortunas, vêm ser aplicadas as suas competências na gestão de negócios privados à defesa dos interesses públicos. Parecendo à primeira vista uma fórmula crível de ser utilizada não resiste, contudo, à análise da interpretação fria que conduz à conclusão que, com semelhante modelo, se desdenha a capacidade de evolução dos escalões hierárquicamente inferiores na Administração Pública.
  • Não existindo evolução dentro da função pública, a nomeação de "estrelas" do sector privado, na forma de "past" qualquer coisa, desde administradores até consultores, pretende muito menos passar competencias do privado para o público e, muito mais, embelezar o Estado aos olhos dos cidadãos - que não dos funcionários - transmitindo-lhe um prestígio que o Estado já não tem condições de conseguir por si próprio.
  • Por outro lado, esta fórmula encerra em si mesma uma enorme dose de veneno: ao aceitarem lugares públicos, os gestores não conseguem fazer do Estado uma empresa mas transmitem a exacta noção que o Estado só é credível se se parecer com uma empresa. Contudo, no Estado exige-se uma clara distinção entre o escalão executivo e o poder decisório, princípio que colide claramente com a administração e gestão das empresas. Estaremos, assim, perante uma clara contradição.
  • Perdida a dignidade de outrora, a autoridade e reconhecimento social de depositários do interesse público, concorrendo com interpretes que chegam constantemente do exterior e que bastas vezes são instrumentos de manipulação de interesses privados, os funcionários públicos acabam por se amesquinhar, definhar, concorrendo para um mau funcionamento público, para um arrastar de processos, tornando-se no alvo fácil - "the sitting duck" - das associações patronais e empresariais e dos políticos afanosos em passar um discurso populista, que pareça sofisticado, mas que na realidade enferma da capacidade de determinar sériamente quais os verdadeiros problemas da Administração e do Estado moderno, da degradação da sua imagem e da incapacidade de encontrar um modelo alternativo.
Se é que existe um verdadeiro interesse em reformar a Administração Pública.

21.6.05

CITANDO UM GRANDE AMIGO

Os homens providenciais, na vida como na morte, roubam-nos a liberdade de os criticar...

[Nº 22]

Nascido em 21 de Junho de 1905...

Jean-Paul Sartre Posted by Hello
Jean Paul Sartre não teve filhos. Ninguem que tenha filhos "está só, abandonado na terra" nem os intentos que se fixam são os mesmos depois de se ter filhos, nem os destino que forjamos para nós são os mesmos. Tudo se relativiza e muitas vezes a ordem se prioridades inverte-se ou até deixa de fazer sentido. Há objectivos maiores. Plus. Em Sartre tudo foi uma farsa, até o casamento que todos julgavam ideal com Simone do Beauvoir (vide livro que ela escreveu logo após a sua morte). Há pensadores assim; pensadores da Utopia, mas que seria da vida sem utopia?? No dia em que cada homem só contar consigo próprio estaremos reduzidos a uma sociedade egoista, ditatorial, contrária a todos os valores democráticos e distituida de humanismo.
BlahBlahBlah

JEAN-PAUL SARTRE

" O Homem não obterá nada a não ser que primeira entenda que só pode contar consigo próprio; que está só, abandonado na terra no centro das suas infinitas resonsabilidades, sem ajuda, com nenhum outro intento que não o que ele próprio fixa, sem nenhum outro destino que não o que forjou para si próprio nesta terra."
De "Ser e Não-Ser" (1943)

20.6.05

POEMA

Disse-te adeus e morri
E o cais vazio de ti
Aceitou novas marés.
Gritos de búzios perdidos
Roubaram dos meus sentidos
A gaivota que tu és.


Gaivota de asas paradas
Que não sente as madrugadas
E acorda à noite a chorar.
Gaivota que faz o ninho
Porque perdeu o caminho
Onde aprendeu a sonhar.


Preso no ventre do mar
O meu triste respirar
Sofre a invenção das horas,
Pois na ausência que deixaste,
Meu amor, como ficaste,
Meu amor, como demoras.


(Vasco Lima Couto)

19.6.05


a água, elemento fundamental do equilíbrio humano. Posted by Hello

QUESTÕES DE LÓGICA...

Não houvi, durante a corrente semana, um único encómio ao Dr. Alvaro Cunhal que não pudesse ser atribuído ao Prof. Oliveira Salazar.
Como elogios houve que não podiam ser atribuídos ao Dr. Alvaro Cunhal (o facto de ser um portugues sentido), mas que o seriam sem qualquer dúvida ao Prof. Oliveira Salazar, gostaria de ver a interpretação da importância histórica de cada um, para Portugal, na boca dos analistas, jornalistas e políticos assumida a disposição de comparar um e outro, partindo de um "se" fundamental: e se Alvaro Cunhal tivesse chegado ao poder...

Winslow Homer Posted by Hello

A favor de uma Europa "Free Trade Area"

A Europa terá de caminhar, inevitávelmente, para o conceito de Zona de Comércio Livre e abandonar a peregrina ideia de União Política Económica e Monetária.
A Política sofreu um sério revés.
A Económica prova não estar à altura das necessidades dos países e começa a apresentar as fisssuras mal disfarçadas quando do último alargamento.
A Monetária tem criado problemas recessivos para os quais os países não têm soluções. E se não forem recessivos serão inflaccionistas.
Chegou a altura de fazer a agulha para o caminho económico lógico e possível:
uma grande Zona de Comércio Livre.

COISAS QUE SE NEGOCIAM, OUTRAS NÃO...

A questão das verbas comunitárias funciona como um sistema de vasos comunicantes.
Os estados ricos assumem uma verba como aceitável para as suas economias, para contribuirem para os fundos de coesão (repito: em Portugal, muitos destes fundos tiveram características próximas da indemnização e não da coesão) assumindo o papel de contribuintes líquidos. Os restantes países recebem esses fundos, partilhados de acordo com lógicas de necessidade negociadas umas e impostas outras e, são, os países receptores líquidos das verbas distribuídas pelos Quadros Comunitários de Apoio (QCA).
Quando se sai para uma negociação de fundos onde se tem como cenário mais dez países fruto do último alargamento - portanto maiores necessidades de fundos - e temos, em simultâneo, um conjunto de reivindicações dos contribuintes líquidos assim resumíveis:
  1. Holanda quer ver reduzido o valor da sua contribuição
  2. R. Unido quer receber integralmente o valor que respeita ao "cheque Tatcher"
  3. França e, também Alemanha, não permitem uma nova redução no valor relativo das ajudas da Política Agrícola Comum (PAC) no valor total do orçamento comunitário;

só temos de assumir que não prescindindo uns de receber o que entendem ser da mais elementar justiça e, outros, que de acordo com igual justiça, entendem que deverão contribuir com bem menos e sabendo de antemão que os estados de mão estendida são agora mais dez, só com uma imensa boa vontade se poderia supor que a suposta redução de 17% no valor atribuível a Portugal, tendo como base de cálculo o III QCA, seria um dado adquirido. Só o seria se as exigências enunciadas atrás não existissem (e os nossos governantes sabem-no bem, mas preferem escamotear a informação).

Não é nem era esse o caso. Este, o caso, é muito sério.

E quando fôr possível chegar a um acordo, a redução para Portugal não será de 17%, mas muito maior. É pegar ou largar.

Mas como ninguém nos disse qual o objectivo português, as reais necessidades de fundos do País - embora me pareça surrealista estar a exigir fundos de quem produz, para financiar economias laxistas, onde não há produção de riqueza (cheira-me a chulice..) - qualquer valor negociado será anunciado como políticamente muito bom, atendendo às circunstâncias e às desculpas que se começaram a desenhar de imediato nos "media", na classe política e no porta-voz do governo, que acumula a função com a de correspondente da RTP1 (será que também acumula vencimentos?) em Bruxelas.

17.6.05

[Nº 3] Residência dos Surrealistas...

Exposição Internacional de Pintura Surrealista...

New Burlington Galleries, Londres, 1936.
Em pé, da esquerda para a direita:

Rupert Lee, Ruthven Todd, Salvador Dalí, Paul Eluard, Roland Penrose, Herbert Read, E.L.T. Mesens, George Reavey and Hugh Sykes Williams.
Sentadas, da esquerda para a direita:

Diana Brinton Lee, Nusch Eluard, Eileen Agar, Sheila Legge e uma amiga não identificada de Dalí

Posted by Hello

[Nº 9] New York

Pike e Henry St.

Nova Iorque, 1936 Posted by Hello

ORFEU REBELDE

Orfeu rebelde, canto como sou:
Canto como um possesso
Que na casca do tempo, a canivete,
Gravasse a fúria de cada momento;
Canto, a ver se o meu canto compromete
A eternidade no meu sofrimento.

Outros, felizes, sejam rouxinóis...
Eu ergo a voz assim, num desafio:
Que o céu e a terra, pedras conjugadas
Do moinho cruel que me tritura,
Saibam que há gritos como há nortadas,
Violências famintas de ternura.

Bicho instintivo que adivinha a morte
No corpo dum poeta que a recusa,
Canto como quem usa
Os versos em legítima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa
Se o canto é de terror ou de beleza.

(Miguel Torga)