
Jean-Paul Sartre
só temos de assumir que não prescindindo uns de receber o que entendem ser da mais elementar justiça e, outros, que de acordo com igual justiça, entendem que deverão contribuir com bem menos e sabendo de antemão que os estados de mão estendida são agora mais dez, só com uma imensa boa vontade se poderia supor que a suposta redução de 17% no valor atribuível a Portugal, tendo como base de cálculo o III QCA, seria um dado adquirido. Só o seria se as exigências enunciadas atrás não existissem (e os nossos governantes sabem-no bem, mas preferem escamotear a informação).
Não é nem era esse o caso. Este, o caso, é muito sério.
E quando fôr possível chegar a um acordo, a redução para Portugal não será de 17%, mas muito maior. É pegar ou largar.
Mas como ninguém nos disse qual o objectivo português, as reais necessidades de fundos do País - embora me pareça surrealista estar a exigir fundos de quem produz, para financiar economias laxistas, onde não há produção de riqueza (cheira-me a chulice..) - qualquer valor negociado será anunciado como políticamente muito bom, atendendo às circunstâncias e às desculpas que se começaram a desenhar de imediato nos "media", na classe política e no porta-voz do governo, que acumula a função com a de correspondente da RTP1 (será que também acumula vencimentos?) em Bruxelas.

Assim uma coisa eu sei: o governo tomou medidas para redução da despesa, num País onde o rendimento per capita já é muito baixo.
Outra coisa eu também sei: não ouvi, até agora, nenhuma medida concreta que me faça ter esperança de que a riqueza nacional vai aumentar. O Estado demite-se da função de reanimador da economia, deixando esse papel aos privados. Os privados estão exauridos económica e financeiramente, sobre- endividados, não parecendo ser possível aumentar os recursos por via do investimento interno, mesmo quando considerados um ou outro grupo económico que o pudessem fazer mas que não fazem, e bem, porque o mercado português está "chupado" e não goza de qualquer elasticidade na procura, não estranhando assim que desviem esses investimentos para o exterior.
Coisas complicadas estas! Para respeitar o défice, em virtude de um estado "gordo" o governo não faz investimento público e a consequente política contra-cíclica. Por outro lado, se o estado emagrecer, ficamos com 1oo.ooo licenciados na rua , provocando uma agitação social culta, diferente, mais eficaz.
Tempos difíceis estes. O Estado precisa de inverter a tendencia de estagnação da economia portuguesa. É sua obrigação fazê-lo, mas as medidas que toma são recessivas.
Visto de fora, o País não é atractivo. Não goza de competencias específicas, a legislação de trabalho é rígida, a mão-de-obra é cara e pouco preparada, a burocracia muita, a transparencia política e legislativa nenhuma, o estado é lento e pesado.
Eu titularia: ESTAMOS SEM CAMINHO E SEM SAÍDA