8.6.05
SEM CALÇAS E DE MÃO ESTENDIDA....
7.6.05
Cenários de Catástrofe Económica e Social Reais que não se resolvem por Tratado
- condições de apoio menores do que em alargamentos anteriores;
- aumento das dificuldades de adesão à moeda única;
- diluição do conceito de criação da UE (dos princípios criadores);
- transferencia do projecto da UE para a arquitectura política;
- não existência de ideias francamente mobilizadoras.
O papel do euro como unidade de conta, como "moeda-refúgio", depende de factores como a sua estabilidade cambial, peso da zona euro no comércio internacional, preferências nas transacções e política cambial de países terceiros.
Como foram calculados os critérios de convergência em Maastricht:
- é possível demonstrar a relação entre o défice orçamental e a dívida pública em % do PIB, com uma simples relação matemática: d=yb, em que d=D/Y, b=B/Y e y=dY/Y, onde D é o défice orçamental, B a dívida pública e Y é o rendimento, todos em valores absolutos, excepto o rendimento (valor nominal).
Aplicando as condições do tratado, a igualdade d=yb reduz-se a: 3%=5% x 60%, o mesmo é dizer, assumir o crescimento do produto nominal em 5%, valor próximo do que se registava na Alemanha na altura da negociação do PEC.
Existíu então e desde logo, arbitrariedade na fixação dos critérios, nada tendo a ver com a teoria das ZMO (Zonas Monetárias Óptimas). O PEC (Pacto de Estabilidade e Crescimento), foi "construído" à imagem e semelhança da economia alemã.
Quando se verificam discrepâncias fundamentais nos princípios subjacentes à criação da zona-euro, como o aumento da despesa pública em vários países com implicações diversas, há influencia directa no défice orçamental e nos diferenciais das taxas de inflação entre países da zona euro e respectivos critérios de convergência. Os pilares de sustentação do euro desmoronam-se. Ninguém pode acreditar, em seu juízo, que perante o deslizar de umas economias em relação a outras as paridades fixadas se possam manter. Não existem sistemas de vazos comunicantes entre as economias europeias, (não existe um sistema fiscal único, não existe um modelo de estado-providencia único) e as verbas dos fundos comunitários (para Portugal têm funcionado como indemnizações e não como subsídios) são cada vez menores e mais divididas.
Um euro em Portugal não poderá valer o mesmo que na Alemanha, à paridade actual, se a performance económica portuguesa se fôr afastando, irremediávelmente, da performance alemã.
É discutível o conjunto de critérios que permitem fixar paridades entre moedas, mas não podemos esperar que estes critérios se alterem quando as prestações económicas são frouxas. Aqui surge o espectro da estabilidade cambial do euro. Não foi por mero acaso, que no mesmo dia em que foi anunciada a revisão do PEC, o dólar recuperou perante o euro.
Nada é certo neste momento, a não ser que os interesses alemães passam pelo centro e leste europeu, os franceses pela manutenção da ideia política subjacente às CE e que Portugal está pejado de problemas estruturais, a produzir muito pouco e a consumir mais do que pode. A Europa dividida por interesses económicos regionais, a várias velocidades, como sempre esteve, mas desta feita assumidamente, por imperiosa necessidade.
Verifica-se desta forma, sem sombras nem incertezas, que o cenário catastrofista enunciado por Miguel beleza e os defensores da Constituição Europeia já existe e não se resolve por Tratado, qualquer que ele seja.
Na Corda Bamba Monetária, Último Sopro Da Economia Moribunda
Respiro o teu corpo
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.
(Eugénio de Andrade)
5.6.05
MARCELO NA RTP 1....
Hm, a propósito: O Castelo-Branco tambem só passou a rico desde que trocou o título de Rómanova por RóbaVelha :p
A que "competências, capacidades, qualificações, motivações, e patriotismo" de que ministro é que Marcelo Rebelo de Sousa se deveria ter referido??
É que desde os finais dos gloriosos anos oitenta, ou seja mais ou menos nos últimos 15 anos, assim de repente não estou a ver nenhum com estas qualidades todas num cinco em um ... Maldade minha, só pode.
BlahBlahBlah
É, tem razão, só pode ter sido mesmo uma ironia :)
No resto também concordo, não encontro nenum, mas avançaria mais no tempo. Nos últimos 25 anos...
Olá João,
Ainda tens paciência para ouvir estes comentários? Confesso que já não tenho...prefiro ler e preparar-me psicologicamente para a semana de trabalho porque nós não somos ricos nem ministros...ah!ah!ah!, beijinhos
Anabela
CEREJA ENVENENADA
Sempre bem escrito, a que acrescento a seguinte nota.
nota: mesmo a legalidade é discutível, porque não aplicável aos cidadãos por igual.
NA DEFESA DA AUTONOMIA POLÍTICA DOS ESTADOS
- ou se ocupam confortáveis posições de gestão, escudadas as mais das vezes em ligações políticas, evitando a todo o custo posíções intermédias nas estruturas empresariais;
- através da presença de espírito empreendedor, correm-se os riscos do investimento, esperando a recompensa do lucro;
- ou aceita-se pertencer a essa grossa camada de burocratas do funcionalismo público em instituições públicas nacionais ou, melhor ainda, em organizações internacionais onde se não fala de despesa e de défice;
- ou ainda, procuram-se profissões liberais.
Então e todos os outros, que não estão defendidos? Essa é a massa anódina e anónima, tornando-se numa excelente ferramenta de manipulação dos salários, por baixo entenda-se.
É então hoje, mais do que nunca, de diferenças profundas e de oportunidades desiguais que falamos, sendo a dependencia dos mais ricos crescente, por parte dos mais pobres. E quando falamos em pessoas falamos em países. O fosso entre países ricos e pobres é cada vez maior. A depressão económica chegou e não se vislumbra quando partirá, embora muitos tentem comprar-lhe bilhete todos os anos, anunciando a partida em discursos de esperança que abrangem sempre os anos seguintes. Mas a depressão vai ficando e o capitalismo instituído, suposto elemento atenuador e amaciador (dois em um) de tensões entre os povos vai-se esbatendo, perdendo a sua feição pacífica.
O conflito existe e não é ideológico: é um conflito feito do bem-estar de uns e as carências inexplicáveis dos outros. É através do discurso político e da intervenção política que se poderão atenuar os efeitos conflituais. É através de instrumentos de soberania que se evitam os focos de violência. Retirar aos países esses instrumentos, entregando-os à espiral do confronto social, equivale a perder a capacidade interventiva, única resposta válida à inversão verificada no início do séc. XXI: não são os mais abastados que colocam em causa os modelos fundados em economias alargadas, mas sim os esquecidos da vida que se tornaram acérrimos defensores da autonomia económica e social dos respectivos países.
O FEDERALISMO EUROPEU - A SOCIEDADE DOS HOMENS SEM MEMÓRIA
A política existe como resultante de um contrato social que precede e ultrapassa todos os interesses particulares.
É esta memória colectiva dos povos que Bruxelas pretende substituir por uma outra, inexistente, a memória de uma Europa unida política e geográficamente. Como essa memória colectiva nunca existíu, a tentação de artificialmente a criar conduzíu as elites europeias para uma Europa piramidal, de base invertida, pretendendo avivar paixões através de documentos e tratados, esquecendo que é através das paixões que nascem os pólos aglutinadores, as bases do funcionamento sólido das sociedades no respeito dos usos, costumes, história e tradições, todas comuns e identificáveis com um determinado espaço geográfico onde a população se revê.
COISAS QUE PERCEBO E OUTRAS NÃO...(3)
Já estará agarrado à cadeira? Ou a ver o negócio do prédio urbano e rústico no valor de 426.500 euros de que é promitente comprador a ir para as calendas?... É que com o ordenado de ministro paga-a em 4 meses e uma semana, investe no país e ainda cria um emprego ou dois em Torres Vedras (o da criada e do jardineiro).
BlahBlahBlah
Quem deveria ter trabalhado 6 anos e receber 8.000 euros de reforma era eu :)
BlahBlahBlah
Concordo inteiramente. Digamos que até nem me importava de ter trabalhado 8 anos e ter 6.000 euros de reforma, ou 7 anos e 7.000 euros, ou 9 anos e 5.000 euros e pronto, chegado aqui também já acho que é demais estar a aumentar e reduzir, porquanto não tarda e fico como todos os restantes portugueses: 14 anos e reforma népia! Porque a lógica aqui é somar 14 não é?
É que não encontro outra.. hummmmm...
A lógica aqui é uma batata. Eu estou é com inveja pura destas desigualdades :)
BlahBlahBlah
Não há lógica?????
Mas sem lógica como é que lá chegamos?
Qual o ponto de contacto com a realidade que ajude a construir cenários cujo objectivo passe pela obtenção da consideração profissional; que permita aos nossos pares considerarem que os serviços prestados às instituições ou mesmo ao País nos merecem uma reforma avultada no final de 6 anos de trabalho?
Como é que alavancamos as nossas competencias ( para além de acções de formação, MBA, pós-Graduações, Mestrado e experiência profissional) para conseguir atingir esse patamar? Como é que somos aferidos? Qual a grelha aplicável?
4.6.05
FUNDAMENTAÇÃO FISCAL...
Em períodos recessivos, se o Estado optar por uma política contraccionista, aumenta o número de empresas que fecham, o número de desempregados cresce, o montante das transferencias para as famílias aumenta, - i.e., fundo de desemprego - aumentando a despesa pública não produtiva e diminuindo a receita fiscal. Aumenta, concomitantemente o défice, pelas piores razões. Mas serão todos os défices maus ?
Não, até os há bastante saudáveis e virtuosos, desde que correspondam a geração de riqueza e capacidade de reembolso. O problema é, então, qualitativo - como se gasta!.
Mas esta capacidade exige competências reforçadas de gestão da coisa pública, exigindo, simultâneamente, crescente responsabilização pelos resultados obtidos na gestão pública, pela receita e despesa.
Sem estes atributos não existe capacidade de fundamentar a coerção política fiscal sobre os contribuintes, pois estarão estes a dispôr de valores que muito para além de cumprirem a sua obrigação social, são utilizados erradamente, perdendo a sua capacidade multiplicativa.
Porventura, o Estado português, à míngua de receitas fiscais e inexistência de receitas extraordinárias, se veja forçado a jogar todas as semanas no euro-milhões, no totoloto, totobola e lotaria e ainda necessite, perante a incerteza das citadas fontes de rendimento, de jogar nos casinos, na vermelhinha e toda a espécie de raspadinhas que proliferam no mercado. Ou talvez, nesse dia, quando as receitas forem muito diminutas se assista a uma aplicação correcta dos dinheiros colocados à disposição do Estado. Mas o tempo perdido já terá sacrificado mais uma ou duas gerações de portugueses.
Adaptação livre, muito livre de "Uma Ilha na Lua" de William Blake
"Bem," disse o Povo, "veio-me à cabeça que ele não é."
"Mas porque é que então", insistiu o Cínico, "disseste que ele é?"
"Eu disse isso? Caramba! Não pensava ter dito tal coisa. Mas o que eu quis dizer. Eu - eu - eu não consigo pensar.. Caramba! Senhor, bem gostava que me dissesse como é que isto pode ser."
Então o Cínico pôs o queixo na mão & proferíu:
"Mas como, Senhor! exclamou o Povo. "Sempre que penso devo ser eu a pensar? Mas eu penso que sim. Em primeiro lugar - ..."
"Ora, ora!" disse o Cínico. "Não sejas parvo."
Neste momento fazem a sua entrada os Outros três filósofos, ( são cinco ao todo, contando com o Sócrates e o Outro ) dizendo em uníssono: "Vamos Povo! Diz lá qualquer coisa."
O Povo começou então: "Em primeiro lugar penso, eu cá penso em primeiro lugar que Sócrates é muito bom em Medicena, Fologia, Pistinologia, Aridologia, Arografia, Metamorfografia, Focinhografia, Suínogamia, Hinotomia, & atudo isso, mas, em primeiro lugar, ele comer minto pouco, suminalmente & ódepois morre!"
E foi assim que saíram todos da sala, & eles não puderam continuar a conversa neste propósito.
nota: o Cínico saíu de braço dado com todos, sem se comprometer com nenhum.




