18.5.05


Grant Wood Posted by Hello

Na Conspiração Das Palavras...

Tive a liberdade de hoje publicar um pequeno texto, referenciando este seu artigo de opinião
( nota: o artigo mencionado é
"esclarecimento presidencial").
Sómente quis partilhar um sentimento que nos é comum!

António Stein (blog Secret Story)

Caro António
Agradeço a amabilidade da referência, oferecendo os meus préstimos, desde logo, enquanto fiel patriota de uma Nação imensa de nome Portugal.
E já somos dois, mas partilho da sua certeza que muitos mais haverá. Direi mesmo que a maioria dos portugueses partilham das nossas preocupações e angústias, só faltando dizer: BASTA!

Quanto ao nome do partido, fiquei curioso.
João Fernandes

17.5.05


Sisley Posted by Hello

BOM DIA...

Amor :
a manhã é uma densa juventude
e um caminho de esperança, recolhido.

Com brisas que antecedem os desejos
magoa as ténues águas dos nenúfares
onde os peixes gravitam suas cores.

As crianças brincam já a esta hora.
As suas vozes trocam de harmonia
e sobem, no meu peito iluminado.

O dia acorda o dia e, lentamente,

nos preparamos para envelhecer.

E assim, amor, eu mando-te notícias
sem vontade de ter outra morada
que não seja sorrir e estar contigo.

Passou, agora mesmo, ao rés da rua,
um esquife, vazio de pessoas,
queimando a dor em duas ou três rosas
- quase bonitas de tão pobrezinhas!

Além, um gato, expira nos esgotos
seu gesto melancólico de fome
e um homem - já cansado de ser homem,
encosta-se ao portão dum prédio novo.

É manhã. Um ar lavado e fresco
entorna-se nos rostos apressados
como se a dor não existisse mais.
Que sons, os da cidade, meu amor !

(Vasco de Lima Couto)
do Vasco L.Couto guarda-se a memória da casa de Constância onde com amigos escolhidos se escolhia a noite a descer no rio e os poemas e o desenhos corriam pelo terraço onde se mimavam as pombas os beijos os segredos as intrigas e a gargalhada aberta...reler aqui este poema fez da saudade um bem maior.

16.5.05


John Arbuckle Posted by Hello

ESCLARECIMENTO PRESIDENCIAL

Naquele seu jeito de falar sobre assuntos sérios atribuindo ao discurso desapego e, por vezes, alguma ironia, Jorge Sampaio promoveu uma palestra junto de estudantes universitários.
O tema: Constituição Europeia. A conclusão: ninguém deve ter temor do primado da Constituição Europeia sobre as Constituições Nacionais, porque, acima de tudo, esse era já um dado adquirido que não deverá merecer qualquer tipo de discussão mais azeda ou mesmo histeria perante a possibilidade de perca de soberania nacional no que de mais sagrado uma Nação tem: a sua Lei Fundamental (nas restantes áreas já pouco existe).
Aquele jeito desapegado de J. Sampaio sempre o vi como uma forma de o PR fugir a uma realidade que sabe existir e conhece melhor que ninguém: o seu quase total desconhecimento sobre as reais repercurssões de medidas de fundo tomadas ao nível da UE e, simultâneamente, fugir a diálogos que iriam, forçosamente, colocar a descoberto a sua tremenda impreparação histórica, filosófica, económica e social. Ademais, afinam todos pelo mesmo diapasão - Europa.
Aliás, este pequeno desabafo é motivado mais pela petulância que esse comportamento reiterado alberga, do que própriamente por gostar mais ou menos da figura (que não gosto). É da análise da atitude, nada educadora e profilática, antes distante e aligeirada, como se de assuntos semelhantes a cerejas se tratem, que advém esta minha crença de que o Presidente se escuda no trato, porte e abordagem aos temas numa arrogância mal disfarçada, na certeza de que como primeiro magistrado da nação, nenhuma questão se lhe colocará, se a essa questão não estiver pelos ajustes para a responder.
10 anos de ausência de respostas seriam de mais e, assim, nada como "amedrontar" através de postura de cátedra. Solilóquios presidencias, dos quais não se aproveitam princípios nenhuns enunciadores para uma tomada de posição em consciência, particularmente sobre a matéria referida.
Aliás é sintomático verificar que nesta questão da Const. Europeia, não se encontrem argumentos explicativos e formadores de uma opinião, mas meras tomadas de posição. Dizem: "sou a favor e todos deveremos apoiar o projecto da Constituição" e pronto, está, supostamente, tudo dito.
Quanto ao presidente: que diabo se poderia pedir a um homem que só ganhou uma Câmara Municipal e que nada fez? O mesmo que provávelmente a Santana Lopes!
Mas voltemos à questão da Constituição Europeia.
A Constituição é a Lei Fundamental do País. Todos os ramos do direito se lhe subordinam.
É na Constituição que estão consagrados os Direitos, os Deveres e as Garantias!
Ao aceitar-se o princípio do primado da Constituição Europeia sobre as Constituições Nacionais, mais se não está a fazer do que aceitar alterar a Constituição Nacional de forma a que esta "case" com aquela.
Por outras palavras, as Constituições Nacionais passarão a estar subordinadas à Constituição Europeia, pelo que terão, forçosamente, de ser decalcadas daquela.
Alteram-se assim os Direitos, Deveres e Garantias, bem como todo o direito subsidiário.
Perde-se a independencia, subjugada ao poder dos mais fortes. Ingerência total, firmada constitucionalmente.
O direito vigente em Portugal passa a articular-se de acordo com as leis fundamentais fixadas pelos países mais poderosos da UE (leia-se Alemanha em 70% e França em 30%).
O que a Alemanha não conseguíu pela força das armas, por duas vezes, irá obter do ponto de vista económico, suportado na legalidade constitucional.
Mas para os partidos políticos portugueses mais representativos, acrescidos do PR, este é um fado que não merece discussão, porque já era sabido de antemão.
Resta-nos o PCP, para o não à Constituição Europeia.
Ainda nos veremos na situação de ter de votar no sentido do PCP, a bem da Nação, no referendo sobre a Const. Europeia, o que não deixando de ser um voto absolutamente essencial, será perfeitamente surrealista.
Votar no NÃO defendido pelo PCP, "A Bem Da Nação"!!!!! Nunca o imaginei!
Partido político, com as cores nacionais e sentido patriótico procura-se. Agradece-se a quem encontrar que o divulgue com urgência!

Picasso Posted by Hello

A Concha

A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonhos e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhados de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, no bronze falso!
Lareira aberta ao vento,as salas frias.

A minha casa...Mas é outra história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.

(Vitorino Nemésio)

Onde acharei lugar tão apartado

Onde acharei lugar tão apartado
E tão isento em tudo da ventura,
Que, não digo eu de humana criatura,
Mas nem de feras seja frequentado?

Algum bosque medonho e carregado,
Ou selva solitária, triste e escura,
Sem fonte clara ou plácida verdura,
Enfim, lugar conforme a meu cuidado?

Porque ali, nas entranhas dos penedos,
Em vida morto, sepultado em vida,
Me queixe copiosa e livremente;

Que, pois a minha pena é sem medida,
Ali triste serei em dias ledos
E dias tristes me farão contente.

(Luís de Camões)

She Weeps over Rahoon

Rain on Rahoon falls softly, softly falling,
Where my dark lover lies.
Sad is his voice that calls me, sadly calling,
At grey moonrise.

Love, hear thou
How soft, how sad his voice is ever calling,
Ever unanswered, and the dark rain falling,
Then as now.

Dark too our hearts, O love, shall lie and cold
As his sad heart has lain
Under the moongrey nettles, the black mould
And muttering rain

(James Joyce)

15.5.05

Para ver NASATV em directo.
Escolhendo o RealPlayer, o programa é seguido com legendas, seguramente uma mais-valia para os mais pequenos


Karen Yurkovich Posted by Hello

SONETOS

1
Chaves na mão, melena desgrenhada,

Batendo o pé na casa, a mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo e de pena,
A filha o ponha ali ou a criada.

A filha, moça esbelta e aperaltada,
Lhe diz coa doce voz que o ar serena:
– «Sumiu-se-lhe um colchão? É forte pena;
Olhe não fique a casa arruinada...»

– «Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?» E, dizendo isto,
Arremete-lhe à cara e ao penteado.

Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado!...

2
Vai, mísero cavalo lazarento,

Pastar longas campinas livremente;
Não percas tempo, enquanto to consente
De magros cães faminto ajuntamento.

Esta sela, teu único ornamento,
Para sinal da minha dor veemente,
De torto prego ficará pendente,
Despojo inútil do inconstante vento.

Morre em paz, que, em havendo algum dinheiro,
Hei-de mandar, em honra de teu nome,
Abrir em negra pedra este letreiro:
«Aqui piedoso entulho os ossos come

Do mais fiel, mais rápido sendeiro,
Que fora eterno, a não morrer de fome».

(Nicolau Tolentino)

O CÃO ATÓMICO

1.
Este cão tem folhas nas orelhas,

com quatro talos
mas o que este cão deveria ter era calos,
e só tem olhos e ossos
e morrinha num dente!
Mas, meu Deus, este cão
quase o diria meu irmão
parece gente!

2.
Este cão é redondo. Está deitado,

rosna com gengivas de uivo.
Dizem-me que foi lobo,
mas perdeu a alcateia
como os homens perderam a razão,
que hoje serve de osso ao cão
escapou ao cogumelo nuclear,
e por isso se foi deitar.

(Vitorino Nemésio)

RESPIRO O TEU CORPO

Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.


(Eugénio de Andrade)

14.5.05


Abel Manta Posted by Hello

O PORQUÊ DO DIREITO À DIFERENÇA

Nas pétalas de uma flôr, abertas ao Sol esbanjando beleza, pousou uma abelha, obreira magnífica que na força da colmeia justifica a razão do comportamento isolado.
Nos bagos da romã, pequenos e arredondados, surge a força do fruto, imensa, resultado último da união dos bagos que o compõem.
Nos princípios normativos de uma sociedade que se reconhece num determinado espaço, partilhando um tempo de solidariedade feita de valores, alegrias e outras tantas dores, forja-se a sua força aglutinadora, a resistencia ao egoísmo e egocentrismo, a sua capacidade última de se rever como comunidade, onde as diferenças se esbatem na desgraça e a união resultante deriva do profundo sentido e respeito da individualidade, tal como a abelha e o bago da romã.

PERGUNTA COM RESPOSTA

Se de cada vez que muda um governo se levantam suspeições - que acreditamos são perfeitamente fundadas - que opinião deveremos ter sobre toda a classe política que há 31 anos (des)governa este nosso País?
Mais: se só agora parece ser difícil ficar impune, o que se terá passado nos primeiros 21 anos, quando os políticos eram intocáveis e a impunidade imperava?
O cidadão que todos somos tem a resposta, estou certo.