21.2.05


Van Gogh Posted by Hello
Quando o PSD começou a perder as eleições

O PSD começou a perder estas eleições na primeira vitória de Cavaco Silva. De lá para cá assistíu-se a um crescendo de importância da função económica, enquanto mecanismo repressor da vida nacional, ao invés de se estimular os agentes económicos.

O pseudo "milagre" de Cavaco Silva foi conseguido através da conjunção de três factores: a) fundos estruturais que nos chegavam de Bruxelas já etiquetados (facílimos de negociar, como se entende, se forem aplicados onde quem os disponibiliza muito bem quizer); b) fraca cotação do dólar; c) baixa no preço do petróleo. O milagre foi este, nada mais. Durou enquanto durou. Mas o mecanismo repressor manteve-se, criou escola no PSD. Foi assumido como dogma, levado à prática quase por fanatismo. É saudável um controlo apertado sobre a despesa pública, mas já se disse, reiteradamente, que esta despesa é uma moeda de duas faces: uma produtiva e outra consumista. A produtiva deve ser fomentada, particularmente em ciclos económicos depressivos (a política económica anti-cíclica); a segunda deve ser combatida com todas as forças.

A ruína, como ouço bastas vezes a pequenos e médios empresários, começou com a construção das auto-estradas, vias rápidas e quejandas, que nos aproximaram tanto de Espanha, de Madrid e Barcelona, que faz todo o sentido citar Nicolau Santos, embora a propósito de outro tema: "...a Castellana é uma avenida tão grande, tão grande ....que até atravessa o meu País". De facto ficámos à mercê da proximidade de um mercado espanhol imenso, de dimensão tão desigual que só poderia acontecer a Baleia comer a Sardinha, como nos aconteceu.

Aproximou-se litoral e interior, diminuíu-se o tempo necessário às diversas deslocações internas, reduziram-se os custos de transporte, aproximaram-se as populações, mas como não se investíu no referido interior, o êxodo para o litoral foi uma consequência imediata, desertificando aquele e sobrepovoando este, diminuindo drásticamente as condições de vida de todos os envolvidos - os que já estavam e os que foram chegando. Foi este o "milagre" de A. Cavaco Silva. Uma diminuição da actividade económica na classe média, um aumento da miséria. O investimento público e aplicação dos fundos comunitários foi efectuado em alcatrão, não em investigação, formação (o país tem enormes carências nas áreas científicas, nomeadamente ao nível da formação de engenheiros e economistas - somos iletrados económicamente - e uma gritante ausência de formação matemática), centros de desenvolvimento - atente-se no "flop" da auto-europa, enquanto polo aglutinador de novos investimentos na área automóvel (não houve capacidade de exponenciar as externalidades derivadas do projecto, como plataforma de angariação de novos investimentos na área da alta tecnologia), incapacidade gritante de provocar desenvolvimento sustentado em todo o território nacional, aumentando, consequentemente, as assimetrias em vez de as reduzir. Mais razões poderiam ser mencionadas como demonstrativas do falhanço do modelo económico levado à prática.

De seguida veio o Eng. Guterres. Só podia. Era fácil perante tanta inabilidade política e, sobretudo, perante uma imensa insensibilidade social e equívocos económicos transformados em dogmas ! A. Guterres não conseguíu a maioria absoluta por uma unha negra (negro ia ficando, contudo, o futuro político do PSD). Saíu pela porta pequena e mesmo assim o PSD não conseguíu a maioria absoluta. Mau sinal. Sinal dos tempos.

Para rematar tivemos Manuela Ferreira Leite.

Recordo um único episódio (haveria mais): num final de ano , coincidente com um perdão fiscal de juros vencidos, o Estado colocou uma emissão de títulos nos CTT, para cobertura da dívida pública, tendo-se levantado dúvidas quanto às taxas a praticar e respectivos prazos. Os funcionários dos CTT seguiam escrupolosamente as indicações mencionadas no folheto de colocação, mas a Srª Ministra, em directo na TSF, teimava em contrariar as indicações que eram transmitidas ao público e, perante a insistência do entrevistador quanto às informações reais que eram prestadas, respondeu: " Se os funcionários dos CTT estão a dizer isso vão todos presos"(sic). Veio-se a verificar que a Senhora não tinha razão! Nem o facto seria caso para mandar prender alguém, mas ilustra a personalidade e o tacto político. Só mais um, não resisto: quando do aludido perdão fiscal de juros, logo em Janeiro o MP veio a público dizer que o facto dos pagamentos terem sido efectuados não resolvia o problema do crime fiscal. A Srª Ministra alheou-se da questão, afirmando ser um problema do MP. Não era. Era um problema de credibilidade do Governo e da argumentação utilizada para chamar o devedor fiscal a cumprir: ".....é a última oportunidade de regularizar..." .

O cidadão tratado como um criminoso. O aumento da insegurança, da ansiedade, do discurso raivoso. E depois uma educação que não funciona, um serviço de saúde que é uma anedota, uma velhice indigna, a par de posturas altivas, de discursos azedos, de políticos cinzentos, refastelados no seu alter-ego.
Depois ainda as perseguições fiscais, necessárias mas muito bruscas, curtas no tempo, a perseguição à actividade paralela (um non-sense quando pensamos no aumento da taxa de IVA) igualmente necessária mas a necessitar também ela de mais tempo, os vários casos de corrupção a merecerem tratamentos diferentes, a muita corrupção dada à estampa. Desmamar vícios é um trabalho penoso, de grande paciência, sob o risco de o doente ter uma recaída, entrar em depressão ou morrer, se formos demasiado ambiciosos no "timing", ou ainda mais verosímil, fugir.
Por fim Bagão Félix continuou o inevitável, escrito por J. Sampaio, que conhecia bem o caminho que trilhava.
A culpa não pode morrer sózinha e estes resultados eleitorais vêm de longe, a sua responsabilidade também vem de longe, também de outros intérpretes, que curiosamente, se afastaram nos últimos meses da responsabilidade política.
E o eleitorado fugíu.
Deixar de olhar o umbigo

A pouca importancia dada às eleições e respectivos resultados em Portugal, por parte da imprensa estrangeira, nomeadamente o sempre referencial "FT", prova, inequívocamente, que o grande capital não passa pelo nosso País e as atenções há muito deixaram de estar centradas neste canto da Europa.
O País define-se nas gravatas deslocadas nos colarinhos, nas calças com a metade de baixo dobradas sobre uns sapatos invariávelmente quadrados e por engraxar, na falta de maneiras e cortesia, sinais de uma população fechada em si mesmo, repetitiva no modelo adoptado. É triste a vã tristeza de se pensar pequeno, de se ser pequeno. É pena o modelo ser este, tão pequeno. E os heróis estarem nas novelas, nos "reality shows", onde se vivem vidas de fantasia e não fantasias na vida. E depois olhamos e vemos tudo decrépito, sem alma, sem chama, vidas feitas de movimentos mecanizados, com muita amargura, sofrimento e violência. Muito lixo, falta de civismo, ausência de solidariedade, de compaixão, de piedade.
A palavra caridade foi abolida após o 25 de Abril. Era "pecado político" evocar o termo caridade. Hoje, nas ruas das grandes cidades deste nosso País, é esta a palavra que mais se houve quando paramos num qualquer semáforo:"...por caridade...".
Nada somos, nada valemos. "Self made man?" Onde estão? Na construção manhosa? No outro país nocturno, que abre às 22.00 horas? Nos jogos de interesses? Na lavagem de dinheiro? Nas plataformas de droga? Na exploração do trabalho ilegal?
Temos futuro , baseado nestes pressupostos, como Cuba no tempo de Fulgêncio: Sol, droga, dinheiros sujos e p......
Constatações
Os votantes de centro-direita, mesmo em condições adversas, estão consolidados em torno dos 36% dos eleitores.
O CDS/PP atingiu o patamar acima dos 7% e dos 12 deputados. Consolidou uma posição que lhe permite almejar o lugar de 3ª força política.
O humanismo que Jerónimo de Sousa mostrou durante a campanha travou a hemorragia de votantes na CDU.
Os portugueses sem memória política, ou de memória curta, valem cerca de 6% do eleitorado.
O voto branco/nulo quase que duplicou, 170.000.
A partir de agora não mais o PS poderá advogar a não atribuição de maiorias absolutas a um só partido, sob o argumento do défice democrático que tal solução apresenta.
O que valia a pena
Verificar qual a percentagem de população recenseada, com faixa etária compreendida entre os 18 e os 25 anos, que foi votar. E qual a dimensão daquele universo.
O que já começou a ser dito
António Vitorino, a propósito da comunicação social, de que esta vai ter de se habituar à ausência de espaço para exercer pressões e criar factos políticos.
Bom Dia

Canaletto Posted by Hello

20.2.05

E à noite nada muda...

Jeanloup Sieff Posted by Hello
Alguns, felizmente poucos!

Alguns, felizmente poucos, gostariam que esta fosse a noite dos "facas longas".
Alguns, felizmente poucos, profetizam a desgraça.
Alguns, felizmente poucos, invocam o "bicho papão".
Alguns, felizmente poucos, contam para pouco ou mesmo nada.
Aprendizagem no infortúnio e legitimidade de avaliação
Aprende-se na vitória como na derrota. Aprende-se pela positiva e pela negativa, pelo sucesso e pelo insucesso. A derrota, a negativa e o insucesso reiterado deverão ser penalizados, mas ser-se de imediato penalizado porque se errou, porque se perdeu, de facto ou supostamente, é perder a capacidade da aprendizagem que quem erra e perde assimila, muito mais até do que nas vitórias reiteradas. Aprende-se mais na derrota do que na vitória. Questiona-se mais no insucesso do que no sucesso. Interioriza-se muito mais no infortúnio do que na ventura.
Só em Portugal é que se penaliza o erro desta forma dramática e se pedem de imediato cabeças. A capacidade de aprendizagem de quem perde é enorme e as ilações que retira preciosas. A consolidação é importante.
Paulo Portas não deveria sair e sim esperar que o congresso extraordinário se pronunciasse. O congresso poderá repor esta verdade, caso não apareça nenhuma moção considerada mais valiosa para o partido, por muito que os seus inimigos não gostem.
Pedro Santana Lopes fará bem em esperar pelo congresso que irá convocar. Só este tem legitimidade para o fazer. Que apareçam propostas tentadoras e os congressistas não deixarão de as valorizar. Mas que apareçam. É para isso que servem congressos. Se alguém quer substituir um líder deverá fazê-lo com qualidade e sofrimento intelectual e pessoal, e não de mão beijada.
Perigos de uma viragem à esquerda (radical)
A conflitualidade de interesses entre a capacidade de escolha ideológica e a realidade económica das famílias, leva estas (e muito bem na linha de defesa dos seus interesses), bastas vezes a optar por soluções políticas alternativas sem se dar conta se está a pintar o País de uma cor ou de outra. Portugal está hoje pintado de encarnado (mistura do rosa com o vermelho) e, quer queiramos ou não, este dado é relevante na opção de escolha do destino do IDE. Quando nos confrontamos na "guerra" de captação de investimento com países saídos do socialismo de leste europeu, onde vingam tendências nacionalistas fortes, aliadas a naturais espectativas de liberalização dos mercados, este dado não nos indicia nada de bom.
Porquê? Porque se por um lado é verdade que a maioria absoluta do PS impede a entrada da CDU ou do BE no governo, minorando os estragos, sabendo-se que hoje é cada vez mais ténue a diferença entre o centro-direita e o centro-esquerda e que o capital tende a não diferenciar ambos os lados, acreditando até, muito provávelmente e com razão, que o "laissez-faire" normal nas políticas "socialistas" actuais lhe são propícios (criando ricos e não riqueza), não é menos verdade que este "laissez-faire" não é exequível com as necessidades actuais do País. Serão então necessárias medidas anti-populares, que este ou outro qualquer governo sério não deixará de considerar fundamentais para a regeneração do tecido (ou melhor, farrapo) económico português. Estas medidas serão, decerto, mal aceites pela população. E é aqui que reside o busílis! Se perante medidas impopulares, a tendência do eleitorado se manifestar pela crescente penalização do centro - seja agora de direita ou de esquerda - e continuar a fazer crescer a esquerda radical "trotskista"(BE) e a CDU (modelo soviético) ainda mais acima do já preocupante patamar onde hoje se situou - estes acima da democracia-cristã e aqueles a apenas um ponto percentual, totalizando o centro-direita nacional sómente 36% - raciocínio plausível no contexto da análise dos resultados de hoje, que invocam à (má) memória os conturbados idos de 70, então o grande capital internacional provávelmente optará pela máxima "wait and see", dizendo que pouco lhe importa o "wishfull thinking" e perguntando, muito concretamente, "where is the money?".
E esta é uma pergunta a que nenhum governo conseguirá responder sem o próprio IDE (investimento directo estrangeiro) e, sem respostas, também não conseguirá trabalhar serenamente, com tempo e paciência na condução do País num rumo de crescimento económico sólido.
É o ciclo vicioso e pouco ou nada virtuoso de uma economia depauperada, num mundo onde o capital não conhece fronteiras e a comunicação é global, para o bem e para o mal.
Recuperar o fôlego

Desculpem os leitores deste blogue a reacção lenta aos resultados, mas tive necessidade de respirar e interiorizar.
Agora que já o fiz coloco as primeiras ilações pós-eleitorais.
Bom Dia

Eugène Boudin Posted by Hello

Jeanloup Sieff Posted by Hello
Vida vivida

Tinha traçado o destino,
No ângulo da sua moral.
Tomar o prazer sensual,
Evocá-lo como a um hino!

Relatar com sentida ternura ,
O Amar louco, inconsciente.
A aprendizagem assente
Na química da paixão pura.

Reter o fluir da mente
Através da palavra escrita,
Repetidamente dita,
No passado e no presente.

Invocar sanidade e demencia,
No suplantar de si próprio.

Sentir sufocante, probatório,
O calor da existência.

Viver no limite do ser,
Perdido em amores profundos.
Entender também outros mundos.
Amar e engrandecer!

Escrever para contar a vida,
O belo que víu e sentíu,
O existir louco, em desvario,
De uma alma assaz vivida!

(João Fernandes)

19.2.05

Bom Dia

Willard Metcalf Posted by Hello
Nota Breve

Há três anos o PSD ganhou as eleições depois de uma "fuga" governativa do PS, formando governo coligado, por insuficiência de deputados para uma maioria absoluta, quando, perante a "fuga" do PS, tal poderia parecer verosímil. Anteriormente A. Guterres tinha ficado no limiar da maioria absoluta pela primeira vez na história do PS. Agora fala-se de novo numa maioria absoluta socialista. Independentemente da votação de Domingo, parece claro que o eleitorado se encontra cansado de políticas monetaristas. Das políticas monetaristas que o PSD tem perseguido ao longo dos seus governos, provocando uma erosão no eleitorado natural do partido. Da obsessão com a despesa pública, sem cuidar de separar a despesa produtiva (bem-vinda), da despesa não produtiva (a controlar impiedosamente).
Continua a residir na direita portuguesa a capacidade de resolução de parte dos problemas nacionais de curto prazo, e a capacidade de criar condições de, a longo prazo, encontrar soluções para todos os outros, mas a economia tem de se virar para a população. É um imperativo político e governativo que a economia seja entendida como um instrumento a colocar ao serviço da Nação e não a Nação a servir os interesses económicos. Aqui reside a diferença entre os economistas e os outros, os monetaristas.
À Virgem Santíssima
Cheia de Graça, Mãe de Misericórdia

Num sonho todo feito de incerteza,
de nocturna e indizível ansiedade,
É que eu vi teu olhar de piedade
E (mais do que piedade) de tristeza...

Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade...
Era outra luz, era outra suavidade,
Que até nem sei se as há na natureza...

Um místico sofrer... uma ventura
Feita só do perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira...

Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa...
E deixa-me sonhar a vida inteira!

(Antero de Quental)

18.2.05

Fim de Tarde bucólico

Joseph William Turner Posted by Hello
A propósito de eleições e sondagens
Os números apresentados nas diversas sondagens têm de ser encarados com cuidado. Se por um lado parece inequívoca uma vitória do PS, por outro não é menos certo que as sondagens se baseiam em amostras e comportamentos tipificados, que permitem o tratamento estatístico, e estas eleições decorrem num ambiente atípico. Atípico porque o voto é assumido pela negativa - não votar em Santana Lopes - e porque se é certo que são os grandes centros urbanos que condicionam as vitórias, é igualmente verdade que o interior tem uma palavra a dizer no número de mandatos obtidos e aí, no interior, a conversa é outra, bem diferente do ambiente cosmopolita e do discurso enfatuado, vazio de conteúdo, de circunstância e pseudo-sofisticado do litoral urbano. Mas mesmo aqui, muito voto só irá ser decidido já com o papel na mão.
Igualmente a euforia que tomou a esquerda nos dois últimos dias, se prefigura uma enorme confiança, não deixa de ser incómoda para o eleitorado de centro-direita, que poderá aceder a votar em nome da diminuição do "gap" previsto, quer pelos discursos, quer pelas sondagens.
A abstenção terá igualmente um papel importante a desempenhar dia 20 - não me refiro aos abstencionistas crónicos - podendo alterar as contas que agora são feitas com base em amostragens. E esta abstenção irá atingir, por igual, os dois partidos mais votados.
Pelo que fica escrito, a convicção de que os números ventilados irão apresentar algumas discrepâncias significativas ganha força.

17.2.05

Felizes os que a felicidade procuram nas coisas simples da vida

John Constable Posted by Hello
A realidade, nua e crua, manda que se diga que ganhe quem ganhar, em nada afectará a economia nacional, a economia das famílias, a capacidade de resolver os problemas do ensino, da investigação, da saúde, todos os problemas, dos maiores aos mais pequenos que assolam o País, no curto prazo.
Por uma única razão: Portugal não depende de si, nem em parte, para resolver as situações que se lhe colocam. Não tem à sua disposição os meios económicos necessários: política monetária, emissão de moeda, taxa de juro de referência, mobilidade nos mercados de importação e, igualmente importante, é o único país da UE a 15 que, no balanço dos efeitos de criação e desvio de comércio, ficou claramente deficitário. Por outras palavras, não há sectores de actividade em Portugal, em número suficiente, que se consigam impor nos mercados internacionais. Ainda de outra forma, a economia portuguesa é ineficiente. Hoje, mais do que nunca, se aplicam a Portugal teorias há muito defendidas e muitas vezes esquecidas, por incómodas, de economistas de tendencia marxista não ortodoxa, que defendem a existência de países de centro e países de periferia. Portugal é um país de periferia. Já o era aquando da integração. Igualmente o "proletário" alemão é um "capitalista" perto do "proletário" português. Há desigualdades que não se "curam" por varinha de condão, menos ainda com dependencias externas trágicas (+ de 80 % das exportações portuguesas têm hoje, como destino, Espanha).
Manda igualmente a verdade que se diga, uma vez mais nua e crua, que hoje a direita política tem maiores preocupações sociais, um maior leque de soluções para os problemas económicos, quando comparada com a esquerda. Esta está refém de chavões, de conceitos ultrapassados, outras vezes desvirtuados pela necessidade de adaptação de dogmas que falharam rotundamente no conjunto de países socialistas, carecendo assim de novas roupagens. Mas querer vestir bem, quem nunca se vestíu ou se vestia mal, redunda forçosamente num quadro misto de pirosice e ostentação ideológica, entenda-se.
Por outro lado, manda a história que se diga que quem começou no centro-direita acaba na direita (com excepção de alguns cínicos perfeitamente identificados) e que quem começa na esquerda acaba na direita. Ou seja e por outras palavras, a tomada de consciencia cívica, social, económica e política pelo cidadão, conduz este a ideais de direita. E não é esta evolução um acaso, como não o é que os jovens sejam, por norma, radicais. O conhecimento consolidado da realidade da vida, das necessidades dos outros e a noção ganha de que o mundo não gira à volta do umbigo, conduzem o cidadão à referida evolução. Acréscimo de responsabilidade social, tomada de consciência das desigualdades e seus custos, individuais e colectivos, são responsáveis pela mutação ideológica.
Não será então de estranhar estar a direita melhor dotada de dirigentes, quadros políticos, e de gozar, na generalidade da população, com o apoio dos mais capazes. Melhor ainda, nenhum destes homens se sente deslocado nas suas vidas, nem arrependido de opções que tenha feito anteriormente, assumindo a mudança como uma consequência lógica da evolução do conhecimento individual, retirado da percepção do colectivo.
Ter o Partido Socialista no poder significa ter um conjunto de homens com características pouco abonatórias para a necessária reforma nacional: ou estão deslocados ou desenraízados sendo sérios mas pouco ou nada interventivos, ou são pura e simplesmente teimosos e saudosistas. De qualquer das formas nada capazes de governar o desgoverno deste país. Não são capazes a curto prazo, logo nada há a esperar de bom no longo prazo. E a questão do longo prazo é a mais pertinente.
Estamos habituados, infelizmente, a aceitar gerações sacrificadas na esperança de que as gerações seguintes sejam bafejadas por um verdadeiro estado "wellfare". Com um governo socialista ficaremos pior no longo prazo por duas razões fundamentais:
razão interna, com a falta de rumo, de ideias e coragem pela incapacidade de tomar medidas necessárias e impopulares (retenção da capacidade de actuação política pelo dogma); externamente, porque numa altura em que a Europa vai virar à direita Portugal vira à esquerda. E é nesta área específica, a da política, que não nos é minimamente interessante caminhar em contraciclo. Não numa altura em que a Europa é uma incógnita. (voltarei ao assunto Europa)
Bom Dia

Frank Weston Benson Posted by Hello
Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu nâo.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

16.2.05


Botticelli
Retrato perfeito de uma mulher
Posted by Hello
Português Me Assumo

De todos os sítios do mundo
onde podia nascer,
Quis o destino escolher
nascesse num País profundo.

Profundo na sua história,
Símbolos, figuras míticas.
De epopeias e conquistas,
Na fortuna e na glória.

Terra de D.Afonso, D.João,
De sofridas gerações.
De Pessoa, de Camões,
Que em poemas nos cantaram.

Éramos grandes, enormes,
Em dimensão e beleza.
Dividíamos o mundo à mesa,
Temidos pelos mais fortes

Novecentos anos contados,
os mais antigos da história.
Perecem com dor, sem glória,
De tanto serem esbanjados

Daí para cá o deserto,
A ruína, a demência.
A imensa carência
no assomo do incerto.

Tempos conturbados os nossos.
Trinta anos de loucuras

Remetem as gerações vindouras
Para o pior dos invernos.

(João Fernandes)

Monet Posted by Hello
Um Presidente da República finalmente frontal e assumido
Ao afirmar, em discurso improvisado, que foi escandaloso o aumento em 300% verificado na sua remuneração, na passagem da CML para a Presidência da República, Jorge Sampaio mais não faz do que assumir públicamente que continua a ser um presidente de câmara, na maneira de agir e de pensar e que, portanto, o vencimento que aufere é excessivo. Parabéns Sr. Presidente pela coragem demonstrada.
No mesmo encontro, com empresários portugueses, para falar de telemóveis e de computadores, Jorge Sampaio necessitou de um papel escrito que leu, sem fugir a uma vírgula. Os seus assessores parecem ter noção exacta das limitações que o Presidente não se coibíu de publicitar, ao preparar todos os temas, mesmo que seja para falar de telemóveis, enquanto o Presidente parece não perceber essas limitações insistindo em falar de improviso.
Recordo-me, aquando da visita à Austrália, de J. Sampaio ter afirmado que trocava um pouco da nossa ilustre História, por comparação com a história recente australiana, por um pedaço de territorio australiano, por comparação com a nossa pequenez. Não esteve este senhor de acordo com a descolonização "exemplar" ?
Cada vez que fala de improviso ou entra mosca......
Aurea Mediocritas (2)
De acordo com os dados agora divulgados a taxa de desemprego situa-se nos 7,1 % da polpulação activa. Temo que peque por escassa.
Afirmar contudo, como Sócrates o fez, que é trágica e deveria ter feito soar algumas campaínhas de alarme, pode parecer indicar que era desconhecida a sua dimensão e totalmente inesperada.
Vejamos então se é possível: não esteve Sócrates na Assembleia da República? ; Não é líder do maior partido da oposição? ; Não dispoõe a Assembleia de inúmeras comissões e grupos de trabalho, que estudam os temas considerados prementes e que se relacionam com as várias instituções nacionais, públicas e privadas? ; Não tem a Assembleia a capacidade de chamar os membros do Governo para os questionar e se inteirar dos problemas ? ; Não têm os partidos na oposição "gabinetes sombra" que estudam os diversos "dossiers" e ajudam a trazer à discussão variadíssimas questões? ; Não é hoje a prática política uma acção altamente profissionalizada?
Como conceber, então, que para o líder da oposição os dados vindos a público sobre o desemprego sejam uma completa surpresa ?
Só se entende por falácia ou manifesta má-fé.
Ad augusta per angusta!

Boa Tarde Posted by Hello
A esperança no voto pela negativa parece ser o último reduto socialista nesta semana que antecede o acto eleitoral. Pode, de facto, parecer mais apelativo - votar num candidato porque não se gosta de outro - mas é pouco edificante para o candidato proposto, José Sócrates, e ao contrário do que se poderá pensar não é mobilizador, funcionando precisamente na inversa para a massa votante que se sente atingida.
Aliemos esta condição a uma outra visível e factual, que diz respeito à falta de discurso político (pela repetição reiterada de um discurso vazio, sem novidade e conteúdo) do candidato socialista e à ausência de poder de convicção de Sócrates - atente-se nas sucessivas repetições e imprecisões linguísticas que denunciam falta de crença: "deixe-me dizer-lhe"(sic) - quando comparado com Guterres (este muito mais persuasor) último 1º Ministro socialista, para se poder esperar que a tendência que as sondagens mostram, (mesmo que os desvios absolutos médios em sondagens anteriores não ultrapassem os 2%), possa neste 20 de Fevereiro ser contradita.

15.2.05

Louçã a garantir empregos, sabendo e dizendo que é difícil mas que tentará.
A falar sobre a obsessão do défice e, simultâneamente dizendo que é necessário um enorme controle nas contas públicas. Seria caso para uma gargalhada se não estivéssemos a falar de um economista que dá aulas.
Sócrates resolve tudo com mensagens. Basta falar em esperança e os problemas estão resolvidos. Não estão, infelizmente.
Louçã diz que a política não é uma feira. Ainda não foi outra coisa.
Tem a certeza da vitória do PS. Já se sonha ministro. Pobres cabeças que só sonham com o umbigo.
Ser Pai

Ser Pai é ter na Alma retida
O Belo - sentido e puro.
A projecção no futuro,
O prolongamento da Vida.

A sinfonia da vida vivida,
Que se Ama ávidamente.
A envolvente presente
De uma Alma tão Querida.

A alegria, a paixão permanente,
A presença bela e amante,
O frutificar vibrante
De um Amor sólido, pungente.

Coração de amor dilecto,
Terno, doce e ungido,
No beijo mais que sentido
Do paterno carinho e afecto.

E quando a dita palavra sai,

Torno-me solto e caprichoso,
Correndo com amor, ansioso!
E a dita palavra é Pai!


(João Fernandes)
Soneto de Amor

Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma...Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua...,- unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois...-abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!

(José Régio)
Perdão e Redenção

Dalí Posted by Hello
Aurea Mediocritas
Hoje, às 0.30, em rodapé na TVI (enquanto o "pivot" repetia, pela enésima vez, os próximos passos das exéquias da Querida e Saudosa Irmã Lúcia):
"Deverá o corpo da Ir. Lúcia ser trasladado? A sua opinião conta: para sim ligue...., para não ligue...., custo da chamada........".
Não existem comentários possíveis. Só a estupefacção!
Mas uma pergunta impõe-se:
Para quando a morte da 3ª República? É tanto o esforço feito nesse sentido que será quase uma inevitabilidade.
Porque o desvario é total, as faltas de respeito enormes, a ética e a moral nada valem. Porque não existem modelos económicos que nos salvem, nem discursos pomposos que nos acudam. Porque ninguém tem a solução para problema tão gravoso: o de Portugal ter mergulhado no pântano da mediocridade.
Acta est fabula.
Ad augusta per angusta.

14.2.05

OCIDENTE

Com duas mãos - o Acto e o Destino -
Desvendámos. No mesmo gesto, ao céu
Uma ergue o facho trémulo e divino
E a outra afasta o véu.

Fosse a hora que haver ou a que havia
A mão que ao Ocidente o véu rasgou,
Foi alma a Ciência e corpo a Ousadia
Da mão que desvendou.

Fosse acaso, ou Vontade, ou Temporal
A mão que ergueu o facho que luziu,
Foi Deus a alma e o corpo Portugal
Da mão que o conduziu.

(Fernando Pessoa)
Moda no Masculino

Iceberg Posted by Hello
Moda no Feminino

Gucci Posted by Hello

Isaak Levitan Posted by Hello
A Tempo
O Principe Carlos anunciou o seu casamento.
A Casa Real Inglesa mostrou uma imensa inteligência nos títulos que Camilla Parker Bowles utilizará, primeiro após o casamento e, segundo, quando Carlos fôr Rei: Duquesa da Cornualha e Princesa Consorte.
Apropriados, sem dúvida.
Enquanto quis fortuna que tivesse
Esperança de algum contentamento,
O gosto de um suave pensamento
Me fez que seus feitos escrevesse.

Porém, temendo Amor que aviso desse,
Minha escritura a algum juízo isento,
Escureceu-me o engenho co tormento,
Para que seus enganos não dissesse.

Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos
A diversas vontades! Quando lerdes
Num breve livro casos tão diversos,

Verdades puras são, e não defeitos.
E sabei que, segundo o amor tiverdes,
Tereis o entendimento de meus versos.

(Luís de Camões)
Bom Dia

James Freiberg Posted by Hello

13.2.05

O que é o VOTO

O poder não se procura nem se obtém apenas para o possuir ou tirar dele dividendos, mas igualmente para o poder exercer, para se poder governar através de projectos políticos, de ideias, de valores, de interesses. O poder é algumas vezes conquistado pela violência, através de uma acção concertada de uma minoria, outras vezes através do voto livre e secreto, da preferência qualificada e pacífica de uma maioria. Em ambas as situações estamos perante a luta pelo poder, seja ela violenta ou pacífica.
Quando num estado de direito como é o português, se entrega o poder a actores políticos através do voto, ou seja pela vontade da maioria, quem vota está a exercer um direito inalienável que pode ser explicado recorrendo a uma figura económica, comum às estratégias empresariais de alianças: o FRANCHISING.
O Estado, através do poder político e administrativo, detém o "master franchising" da capacidade de determinar quem governa. Partilha ou não esse privilégio. Ao partilhar delega essa responsabilidade. "Franchisa" esse direito. Nesse momento somos todos detentores de uma licença de "franchising", da sua boa gestão e aplicação no tempo.
O termo "franchise" significa, em português: "privilégio, imunidade, direito de voto, direitos políticos, direitos civis, concessão". Abdicar deste direito significa diminuir drásticamente a capacidade de multiplicação do "master franchising". Implica uma vontade de não utilização do privilégio, da imunidade, do direito concedido. Equivale a deixar noutras mãos a gestão do crescimento e da própria razão do "franchise". É o mesmo que abdicar, desistir. É permitir que uns poucos se arroguem pensar por todos. É hipotecar o negócio, o mesmo é dizer o "franchise". Será por fim acabar com este, abrindo as portas às minorias violentas. Por isso é tão importante votar.
Défice Democrático em Portugal
Quando dois jornais de abrangência nacional decidem, na mesma semana, hipotecar parte da respeitabilidade que lhes seria ainda imputável, entrando ostensivamente na campanha eleitoral e, de uma forma descarada, tomando partido pelo PS através de uma tentativa de descredibilização acelerada do líder do PSD, no que é já mais desespero do que racionalidade, deixa-se cair em definitivo a isenção, ou o que restava dela, na capacidade de informar, através de uma tentativa tão inapta quanto desavergonhada de manipulação da opinião pública.
Se, como pretendem fazer crer, PSL está descredibilizado perante a massa votante e as eleições ganhas pelo PS, mais por demérito daquele do que por mérito de Sócrates, não se percebe esta atabalhoada "campanha" de última hora para denegrir a imagem de PSL e, concomitantemente, do PSD. E de última hora - perfeitamente racional e preparada entenda-se - porque no caso do Expresso, jornal semanário, o que foi escrito já não tem possibilidade de ser emendado. O "timing" escolhido foi propositado para impossibilitar a retratação pública.
Igualmente a bizarra tentativa de conluiar o jornal Público com os estrategas de campanha de PSL, no sentido de terem "armadilhado" a notícia sobre Cavaco Silva com aquele jornal, é de uma demência feroz, como se não se soubesse para onde "cai" a redacção do Público, o respectivo director e o bloco accionista.
O Expresso é lido por gente formada, culta, conhecedora e consciente. A menos que José António Saraiva considere que o País está tão mal que mesmo estes já não têm capacidade crítica e de análise. Desengane-se então! Ainda não está tão mal, por muitos esforços que sejam feitos nesse sentido.
O que importa, contudo, é a análise possível a estes súbitos desarranjos mentais.
Será que o PS está próximo de uma maioria absoluta? Ou o pedido desta última, de uma forma cada vez mais acentuada pelo seu líder, esconde uma de duas possibilidades: a) o PS não tem a certeza de ganhar; b) o PS, mesmo ganhando, não consegue formar uma maioria com qualquer força política porque PSD/PP garantirão a maioria dos lugares no Parlamento ?
O despudor das notícias mencionadas levam a pensar que estamos perante a hipótese b), sendo qualquer uma das duas sub-hipóteses ainda não descartáveis nesta altura e, daí, o desespero. Já se disse tanta coisa nestes últimos cinco meses que é aterrador, para algumas pessoas que sempre estiveram mal-intencionadas, pensar que a hipótese b) é viável. Já o tentaram com Paulo Portas, sem resultado, não esqueçamos.
De qualquer forma estamos perante o avacalhamento da informação, perante uma demonstração cabal de que o País está entregue a incapazes, seja qual fôr o quadrante onde se posicionem. O País fede. A incompetência grassa. Os "lobbies" mal intencionados multiplicam-se como coelhos, só não se percebendo como - da maneira que o fazem - se conseguem multiplicar.
Há que atentar na consciência e gerar mecanismos de defesa para a informação que chega do exterior. Mais do que nunca o País precisa de pensar em si, em conjunto, e deixar cair a opinião de uns poucos, que de portugueses já nada têm . Esta última semana deverá ser de reflexão e, vote-se onde se votar, o voto deverá ser em consciência e não um voto induzido e manipulado. Que se vote CDU ou PP, mas que se vote porque se acredita que esse é o melhor caminho para Portugal.
O que se pede é honestidade moral e intelectual, e essa a população nacional tem de sobra. Os outros, poucos, que se danem.
Moda no Feminino

Outras Facetas Posted by Hello

12.2.05

Partindo-se

Senhora, partem tam tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tam tristes, tam saudosos,
tam doentes da partida,
tam cansados, tam chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tam tristes os tristes,
tam fora d´esperar bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nehuns por ninguém.

(João Ruiz de Castelo-Branco)

tentador........ Posted by Hello
Amo, porque de amor nada sei.
E é no amor reiterado,
No que é dado e partilhado,
Que ao morrer esperarei
ter sido de facto amado.

(João Fernandes)
Bom Dia

George Inness, 1878 Posted by Hello

11.2.05

Um pensamento nada reconfortante e até muito incómodo.
Vota-se em partidos, não em pessoas, mesmo sabendo que as campanhas têm de ser protagonizadas por seres palpáveis (sem segundos sentidos), de carne e osso e que o papel da empatia pode ser de alguma forma importante - digo pode, porque se fosse de facto A. Cavaco Silva nunca tería ganho umas eleições. Vota-se num modelo de sociedade, num programa de governo. E assim se vota, igualmente, no líder da força partidária que mereça confiança em determinado momento. Muda-se também, ou não, o sentido de voto de acordo com o modelo que se considera ser mais correcto para a conjuntura do momento.
nota: eu nunca alterei o meu sentido de voto em 30 anos, mas aceito que outros o façam.

Era assim que se votava. Era, porque agora já não é.
O Presidente da República criou um novo tipo de voto. O voto presidencial paternalista, educador e acima de tudo decisor, desresponsabilizando o cidadão votante da decisão que toma quando vota para a Assembleia, quer aquele seja o seu presidente, quer não. A coisa passa-se mais ou menos assim:
- Olha, vote eu em ti ou não, depois, quando e se ganhares - e se não fores tu que seja o outro - o que eu quero mesmo é saber se acaso e na tua opinião eu até me enganar a votar para a Assembleia da República, desculpa lá, mas tu importas-te de emendar a minha mão, correr de lá com os tipos e convocares outras eleições ? Eu sei que é chato, mas fazes não fazes ? Vá lá..... É que tu, melhor que ninguém, senhor da verdade e da razão, figura veneranda de Chefe de Estado, inatacável, saberás melhor do que eu se o Governo que elegi é para durar a legislatura e serve os interesses dos portugueses, tenha ou não maioria estável, ou é para acabar mais cedo. Prometes ? Pronto, então eu voto nas legislativas. Fico mais descansado.
Espaço aos Leitores
Mas, afinal para que precisamos de votar? E se o PR, daqui a uns meses achar que o governo está instável? Porque não escolhe ele? Assim, não deitava as culpas a ninguém! Aliás, éramos nós, a fazê-lo! Um "modelo" respeitável de políticos? de política? Onde andam os "respeitáveis"? Ainda não decidi se vou votar! É que sinceramente, não gosto muito de "lavagens de cérebro"... :-)

Menina_Marota

Bom Dia

Claude Lorraine, 1644 Posted by Hello

10.2.05

Tanta cor.......

a Preto e Branco Posted by Hello
A Cor a Preto e Branco

Há cor no mundo. Em todos os momentos.
Há cor no amor, também na dor. Na vida e na morte: reparem bem na cor.
Nas ruas, nos semáforos, no vinho, nas roupas, nos carros, nos comportamentos. Tudo tem cor.
A cor do céu. A cor do "guichet". Estamos com boa cor ou com mau ar. A cor do mar.
A cor das aves e dos outros animais. Os quadros cheios de cor. As cores básicas.
A cor da guerra, do sangue. A cor da paz: esta é branca.
O branco é o conjunto de todas as cores. Será a paz o conjunto de todas as coisas ?
A cor do sonho - azul ou rosa. A cor da prosa. O homem colorido nas várias raças. A cor da discórdia. A cor do dinheiro. E a cor associada ao sexo. A cor das peles, das jóias. As luzes no seu esplendor de cor. As cores quentes e frias.
A cor da morte: o preto. O preto é a ausência de cor. A morte ausência de vida. Vida material vivida na cor. O preto imposto na ausência da matéria.
A vida intemporal é alva, branca: o conjunto de todas as cores.
Será então, a preto e branco, que se obtém a visão mais realista das coisas e das pessoas ? Mais humana também ?
Se assim fôr não quero mais cor.
Excepto nos meus fatos, gravatas, sapatos, carros, na minha família, nos meus amigos, nas senhoras com quem me cruzo, em todos os outros, nas suas vidas, no céu todos os dias, no amor, nos sonhos, em tudo afinal e, quando morrer, espero enfim poder beneficiar da visão pragmática e humana do preto e branco.
(João Fernandes)
E porque chega de falar
de mediocres......................

Dali em pleno acto criativo Posted by Hello
A propósito do Público e de A. Cavaco Silva
No Público de hoje:
"A direcção editorial do Público reconhece que fez uma má escolha do título de capa "aposta em", expressão ambígua e a meio caminho entre o "prevê" e o "apoia" ".
José Manuel Fernandes sempre que aparece na RTP1, e está sempre a aparecer, é por norma tendencioso e, quando não o é, é ambíguo.
Em corolário se assente que a escolha do título não foi má nem boa, foi natural na linha editorial do jornal e do comportamento do seu director. Já o tínhamos observado num "post" de Janeiro que agora se reproduz abaixo .
O jornal Público e o seu director funcionam como as enguias: com ou sem cabeça mexem sempre.
Senão, atente-se na continuação da peça:
"Deste caso também retira (a direcçção editorial, n.a.) que se deve respeitar os silêncios dos políticos: as convicções jornalísticas sobre as suas intenções ou desejos, mesmo as melhores fundamentadas...".
Ou seja, o Público está e estava cheio de razão, as convicções estão bem fundamentadas, só que não deviam ser ditas assim, daquela maneira, mas sim embrulhadas, objecto de operação de cosmética. Corre-se o risco de vender menos jornais durante uns dias (só uns dias porque a memória é curta), de se ser atacado em várias frentes, portanto há que emendar a mão.
Demonstração de hipocrisia e de cinismo no seu melhor, bem como da intelectualidade vendida, da seriedade hipotecada, do vazio das consciências.
Apetece mandar todos à merda. Não o faço por ser educado, mas que apetece, apetece.
Páginas e páginas escritas, milhares de revistas vendidas, artigos de opinião, receitas, fotografias escabrosas, outras não, escândalos que o são, e que não o são, mais fotografias escabrosas de ostentação, sangue, muito sangue, dias a fio sangue, miséria, desgraça, e mais miséria, e mais crime, e outra vez miséria à mistura com ostentação, depravação, corrupção.
Ainda a opinião de quem nos dá as notícias, as faladas, mas também as escritas, apresentadas sem isenção, com intenção, manipulando o sentido das coisas, para uma população impreparada, pouco letrada, muito mas muito acomodada, egoísta, isolada.
A quantidade é muita. A qualidade é baixa.
Jornais pretensamente sérios - um pior que todos os outros - deturpantes, com jornalistas capazes mas vendidos, impotentes, rendidos aos interesses materiais mais do que aos sociais, culturais, informativos.
E os rodapés! Poupem-nos aos rodapés e às inúmeras calinadas!
Salvam-se alguns articulistas - Clara Ferreira Alves é um bom exemplo - salvam-se as rádios, trabalho mais exigente, desprovido do sensacionalismo dramático e pungente da imagem - atente-se na TSF.
É urgente nivelar por cima. É urgente informar com isenção sob pena de se questionar a liberdade de imprensa, quando manifestada por quem quer, acima de tudo, marcar a agenda. A livre expressão de uns poucos é inversamente proporcional à liberdade e qualidade informativa consumida por todos os outros, e sem esta não existe, de facto, capacidade de pensar e opinar.


Bom Dia

David Curtis Posted by Hello
Merina

Rosto comprido, airosa, angelical, macia,
Por vezes, a alemã que eu sigo e que me agrada,
Mais alva que o luar de inverno que me esfria,
Nas ruas a que o gás dá noites de balada;

Sob os abafos bons que o Norte escolheria,
Com seu passinho curto e em suas lãs forrada,
Recorda-me a elegância, a graça, a galhardia
De uma ovelhinha branca, ingénua e delicada.

Sardenta

Tu nesse corpo complero,
Ó láctea virgem doirada!
Tens o linfático aspecto
Duma camélia melada.

(Cesário Verde)

9.2.05


Degas Posted by Hello
Politica Regional e os Desafios


As esferas de acção da política regional são:

  • politica;
  • económica;
  • regional.

Existe um problema regional quando o modelo de desenvolvimento é insuficiente ou inadequado. As razões podem ser induzidas por:

  • incapacidade de projectar aspirações;
  • mobilizar recursos;
  • implementação de tecnologias;
  • mobilidade de factores.


Uma forte razão para a existencia de assimetrias regionais é a ausencia de investimento, que implica ausencia de acumulação, derivando esta em ausencia de desenvolvimento.
Surgem assim disparidades, desvios em relação à norma que é a regra. As disparidades podem ser intra ou inter regionais ( factores) ou de indicadores( resultados ).
As mobilidades ajudam a superar as disparidades mas podem ter custos sociais elevados, por elasticidades diferentes nas reacções, com efeitos negativos no curto e médio prazo ( dificuldades de ajustamento) podendo ser positivos no longo prazo ( incentivo à criação de tecnologias autónomas).
Várias disparidades locais geram ineficiencias globais. É assim importante a mobilidade do trabalho, dificultada no espaço europeu pela existência de vários sistemas de estado-providencia (a saber: escandinavo, anglo-saxónico, continental e sul), mas também do capital, infra-estruturais, capacidade de iniciativa, tecnologia. Atentar que algumas destas premissas sofrem, pela negativa, impactos derivados de uma fiscalidade não homogénea no espaço europeu.
As regiões competem umas com as outras através de condições normativas, spillovers, eficiencia, formação e cultura da força de trabalho, da capacidade de definir estratégias, dar-lhes conteudo, como factor determinante da formulação da politica economica regional. Todas as deficiencias que as regiões apresentem têm tradução directa nas limitações dos níveis de competitividade, cuja ausencia implica ausencia de desenvolvimento e aumento das disparidades.
A questão do conflito de interesses entre público e privado conduz a que todos os agentes possuam uma politica sobre as questões economicas. A esfera económica tem implicações evidentes na esfera política e regional e, assim sendo, é na capacidade económica que reside o busílis ou a solução do problema.


O futuro do Estado-Providencia europeu.

Dimensões do Estado-Providência a considerar:
  • reexperimentação – processo de reforma baseado na aprendizagem;
  • recalibragem – conteudo substantivo da forma com dimensões funcionais (riscos socais);
  • distributivas (grupos sociais);
  • normativas (valores e discursos);
  • politica institucional (niveis e actores).

Qualquer futura reforma deverá passar de forma simultanea e ao longo destas dimensões, de modo a assegurar uma adaptação dos sistemas sociais às novas necessidades sociais.