23.1.05
22.1.05
Einstein e Freud juntos, o melhor de dois mundos, na concepção de Durrel, ou a influência hindu num espírito ocidental.
A interacção entre universos paralelos, um interno ( a mente ), outro externo ( o meio ) e a interacção com a alma - os vários egos.
21.1.05
20.1.05
Razões para a miséria....
Os bairros pobres, da periferia, existem porque o estado-providência não funciona. As famílias são empurradas para vidas que não queriam, para ambientes que detestam, de início, mas onde após alguns meses de integração acabam por se adaptar. Que remédio! As carências são muitas, a todos os níveis.
Quando somos acordados com a notícia de que uma casa ardeu e morreram duas crianças ente os 4 e os 6 anos, porque os pais não se encontravam em casa no momento da desgraça, estamos todos a ser conduzidos, indecentemente, num engano. Porque a notícia se destina aos mais esclarecidos, áqueles que vêem a TV e lêem os jornais. Destina-se àqueles cujas vidas não tocam aquelas que são mostradas e que desenvolveram um espírito crítico muito especial: todos os que não vivem pelos nossos padrões vivem erradamente, ou por outras palavras, o problema reside em cada um deles, encarado individualmente.
Não poderá existir maior engano. A vida é fruto das circunstâncias e o meio ambiente é fundamental na sua percepção. Se existem pais que abandonam os filhos por umas horas, porque se vão instalar a ver televisão num qualquer café rasca de um qualquer bairro degradado é, precisamente, porque foram inseridos e vivem num ambiente onde a dignidade humana foi reduzida ao zero, onde a consciência se perde e os valores não existem. A assistência social é um mito, o País votou-os ao esquecimento porque não apresentam condições económicas consideradas mínimas para serem consideradas como pessoas. Não interessam nem são interessantes, não decidem eleições (nem sequer votam).
19.1.05
18.1.05
O vento sopra forte, de longe,
Traz frio, gelo, desconforto,
Traz a miséria do morto
Coberto nas vestes de monge.
Vida ao amor dedicada
A todos aqueles que servíu,
Vidas cheias de um vazio,
Na esperança mortificada.
Bornal de caridade à ilharga
Víu muita violencia e agrura,
A todos encheu de ternura.
A vida continuava amarga
Tudo que tinha intuído:
Os pobres sempre mais pobres,
Outros com ar de nobres.
Nada fazia sentido.
Nascemos todos iguais
Só por um simples segundo.
Tempo curto, que cava fundo
As diferenças, os sinais.
Daí para a frente é o norte,
A sina de todos nós.
Muitas vêm já dos avós,
Outras são-no por sorte.
Monge se fizera e assim sucumbiria.
Na igreja procurara o alento
A alegria, a irmandade, o sustento,
A razão da existência que tanto queria.
( João Fernandes )
16.1.05
15.1.05
11.1.05
Manhã cedo na Avenida
Cruzo-me com Rita, a adorada.
Cabelo ao vento, saia rodada,
Largo sorriso, toda sabida.
Um dia terei, estou confiante,
Oportunidade de chegar tão perto,
Que todo eu, decerto
Saltarei frenético, arfante.
Todos os dias me cruzo,
Será hoje, amanhã ?
Levo uma flor, uma maçã ?
Quero embalá-la para meu uso.
Ganho coragem.
Chegou o dia,
Digo: Bom Dia!
Ganho vantagem.
Ela parou, agradeceu.
Pisquei-lhe o olho, vi-lhe o decote.
Saracoteou-se a bela, lisonjeada.
Senti-lhe a coxa, o que é que me deu!
Minhas mãos voaram com um só mote.
Suspirou fundo, sentiu-se amada.
Vamos para minha, para tua cama,
Tanto me faz, quero é ir.
Quero sentir todo o fluir
De meu corpo na tua chama.
( João Fernandes )
10.1.05
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,
Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: - Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida.
( Luís de Camões )
9.1.05
Três situações:
- a equipa A tem a bola e verifica que um jogador da equipa B está necessitado de assistência. Atira a bola fora. Existe Fair-Play. A equipa B repõe a bola com um pontapé para a frente, para uma zona próxima da área da equipa A. A bola é devolvida mas para uma zona de jogo diversa da incial. Falta de Fair-Play da equipa B.
- a equipa B ganha uma bola a um jogador adversário, que pretendendo travar um ataque perigoso, se atira para o relvado, queixando-se. Não existe Fair-Play na atitude de atirar a bola fora, mas tão sómente ingenuidade. Total falta de fair-play do jogador que simula a falta. Contudo o público assobia e os jogadores da equipa A insurgem-se. Deturpação do conceito de Fair-Play.
- a equipa A tem a posse da bola. O jogador da equipa A que conduz a bola verifica que um colega está caído. Atira a bola para fora. O jogador é assistido. A equipa B, com posse de bola, devolve a bola à equipa A. Não existe Fair-Play, mas tão sómente deturpação do conceito. O jogador da equipa A que atira a bola fora toma a decisão baseado na necessidade de ter 11 elementos em campo. É uma atitude que é tomada tendo como objectivo manter a equipa na máxima força. O adversário não tem de devolver a bola.
Em conclusão diria que, exceptuando a primeira situação e mesmo assim esta só em parte, o Fair-Play é um conceito totalmente deturpado. Qualquer mente esclarecida e culta percebe a deturpação que vigora.
Proponho, então, que se volte ao velho esquema de ser o árbitro, enquanto juíz e avaliador do jogo, determinar quando este deve ser interrompido. Caso não veja alguma situação terá a oportunidade de contar com a ajuda preciosa dos seus auxiliares.
E já agora, para quando dois árbitros no terreno de jogo, possibilitando um ajuizar dos lances muito maior, bem como o posicionamento de um deles na linha final, sempre que se desenrolem ataques no último terço do campo.
PinK GiN
num copo de mistura com cubos de gelo, deitar:
- 4cl de Gin
- 2 golpes de angustura
Agitar bem. Coar para uma taça de cocktail arrefecida. Servir com uma garrafa de água mineral fresca, sem gás.
Sweet Martini
Num copo de mistura com gelo deitar:
- 7/10 de Gin
- 3/10 de vermute tinto
Misturar energicamente com a colher e coar directamente para taças de cocktail. decorar com uma cereja.
6.1.05
Antes de Tempo. Com Tempo.
Sem Tempo. A Tempo.
Fora de Tempo. Tanto Tempo.
Tanta falta de Tempo.
O Tempo confinado no Tempo.
O Tempo assumido a Tempo.
O Tempo, esse Grande Arquitecto.
Vamos a Tempo ?
Teremos Tempo ?
Que faríamos com Tempo!
Que faremos com este Tempo!
Passar o Tempo.
Desperdiçar Tempo.
Ganhar Tempo. Perder Tempo.
O Tempo, esse Grande Arquitecto.
O Tempo Perfeito ? 9 Meses de Gestação
( João Fernandes )
4.1.05
3.1.05
7.12.04
Em momento algum se refere à conversa tida com o Prim. Ministro, a não ser para mencionar que a decisão é solitária, ou seja, não negociável com ninguém, razão aventada, igualmente, para a sua comunicação ao PM, mesmo antes de ouvidos os partidos e o Cons. de Estado. Assim o preceitua a Constituição. De facto, a decisão de dissolver a Assembleia cabe inteiramente na esfera de atribuições do PR.
A questão coloca-se ao nível do que foi afirmado pelo Pm e não foi desmentido pelo PR. Se Jorge Sampaio já tinha tomado a decisão na 2ª feira, porque razão não a comunicou de imediato ao PM ?
Tinha evitado que este fizesse convites para preencher o cargo de Ministro deixado vago pela saída de H. Chaves e que se apresentasse no dia seguinte em Belém, com o nome do sucessor, para ouvir da boca do Presidente que, afinal, ía dissolver a Assembleia. Cheira a atitude pouco pedagógica, com a mesma lógica com que há muitos anos atrás, na primária, se distribuíam réguadas quando se davam erros nos ditados, ou se tinha um comportamento considerado à época, menos aceitável. Ficamos sem saber se o PM não sabe escutar ou ler nas entrelinhas do discurso político do PR, ou se este pretendia arrastar a novela da dissolução por mais um ou dois dias, permitindo que o PM afirmasse perante o País que a situação era de entendimento entre os dois oórgãos de soberania e que o governo não caíria, para de seguida o desdizer, comunicando-lhe o contrário. No comunicado da Casa Civil do PR não perspassa, em momento algum, que a conversa de 2ª feira tenha sido mal entendida pelo PM - afirma-se que a situação não era passível de discussão - ficando-nos, então, a segunda opção como a mais viável e, se assim for, a mais incorrecta.
Igualmente se diz que o Sr. PR comunicou as razões ao PM e, também, embora posteriormente, ao Pres. A. República. Mas não o fez ainda aos portugueses.
É, então, perfeitamente corrrecto que o PM não se tenha referido a essa conversa, esperando que o PR, ele próprio, dê essa satisfação à população, explicação que lhe é devida. Errou de novo o PR, a menos que esperasse que o PM furasse as regras básicas da educação e confiasse, públicamente, o teor de uma conversa privada. Não o poderia fazer e não o fez, a meu ver bem.
Sai desprestigiado o PR e o cargo que ocupa, bem como a importancia que lhe merece o a função de PM. Sai descridibilizado o sistema político. Permitíu ser colocado numa situação que poderia prefigurar um golpe de estado institucional, ou melhor, constitucional, dentro dos poderes permitidos pela Constituição. Permitíu que se questione a sua isenção e independencia perante o fenómeno político.
Aguardam-se com expectativa as razões que irá transmitir ao País na próxima sexta-feira.
6.12.04
5.12.04
Murmúrio de água na clepsidra gotejante,
Lentas gotas de som no relógio da torre,
Fio de areia na ampulheta vigilante,
Leve sombra azulando a pedra do quadrante,
Assim se escoa a hora, assim se vive e morre...
Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida,
Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa...
(Eugénio de Castro)
Pára-me de repente o pensamento
Como se de repente refreado
Na doida correria em que levado
Anda em busca da paz do esquecimento
Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado.
Pára e fica, e demora-se um momento.
Pára e fica, na doida correria.
Pára à beira do abismo, e se demora.
E mergulha na noite escura e fria
Um olhar de aço, que nessa noite explora.
Mas a espora da dor seu flanco estria,
E ele galga e prossegue sob a espora...
(Ângelo de Lima )
4.12.04
Viveu, com toda a certeza, feliz e certo de, em consciencia e acima de tudo, se respeitar a si próprio, assumindo nessa atitude o respeito para com todos os outros.
caso não estivessemos a falar de Portugal e dos portugueses.
O PR esqueceu-se de comunicar ao Pres. da Assembleia da República, segunda figura do Estado, a intenção de dissolver o Parlamento, mas não pode explicar as razões que o levaram a essa atitude porque ainda não conversou com os partidos polítcos e não convocou o Conselho de Estado. É de gargalhada!
3.12.04
2.12.04
1.12.04
30.11.04
O PR decidiu-se por eleições antecipadas.
Multiplicam-se os comentários políticos. José manuel Fernandes, director do "Público" afirmava, em cima da hora, que caso se tenha verificado algum facto desconhecido ou caso a solução apresentada por PSL não tenha de todo sido aceite por JS, só mesmo a perca de credibilidade e erosão política de PSL e do seu Governo justificaria esta decisão, visto nada se ter alterado nos últimos 4 meses, espaço de tempo que medeou entre a decisão de empossar o Executivo e, agora, a marcação de eleições antecipadas.
Vê mal o problema José Manuel Fernandes. Duas únicas razões justificam a decisão agora tomada pelo PR:
- falta de traquejo em funções governativas de PSL e que 4 meses se mostraram insuficientes para debelar, ademais quando sofre enormes pressões dentro do próprio PSD e, mais importante ainda
- o PS 4 meses atrás não dispunha de uma liderança credível e seria um derrotado certo em eleições antecipadas. Hoje continua a não ter uma direcção credível mas goza do CAPITAL DA MUDANÇA e, nessas condições, tem muito maiores probabilidades de ter uma votação melhor sucedida do que teria quando este Governo foi empossado.
Há muito tempo que não se viam tantas sondagens em tão pouco espaço de tempo. E são caras as sondagens.
É de facto o "Regresso do Filho Pródigo" como antevia, para quem quis "ler" José A. Saraiva.
6.1.04
8.8.03
O País arde
Arde como arde a raça, o orgulho, o querer...
A vontade da Nação
O sentido de viver, de vencer
Tudo arde finalmente, físicamente...
À muito ardendo na alma
De quem por amor pátrio se ressente
E que dizer das desculpas, dos arrepios, das curvas acentuadas de
intelectos vazios
De uma classe política indigente, vigente
Que na falta de ideias, carácter e convicções
Arrastam um povo quase milenar mas perdido
Para um fim incerto, sem sentido
Estamos perdidos, sim, porque condenados a não saber que fazer
A fazer que não sabemos
Acatando ordens de quem não as sabe dar
A dar ordens a quem não as sabe escutar
Faltam as ideias, as convicções
Falta galvanizar o povo, a Nação
Falta vencer este fogo, que sem se ver tudo queima
Num caminho espesso, desigual...
Num caminhar errante, brutal...
Na voragem de uma clique sem chama...
Na ausência de Homens que dêm razão ao poema
Falta cumprir Portugal
( João Fernandes )















