23.1.05

Thomas Chatterton (1752-1770), um jovem poeta de Bristol, suicidou-se aos dezassete anos de idade. Escreveu versos em inglês arcaico atribuindo-os, contudo, a autores forjados, nomeadamente Thomas Rawley, um monge que teria vivido no séc. XV. Chatterton era afinal o autor dos manuscritos que dizia ter encontrado na igreja de St. Mary Redcliffe, em Bristol. Apesar de ter sido denunciado em meados de 1769, o que levou a que quase todos os seus escritos seguintes fossem recusados pelas revistas literárias, a discussão sobre a autenticidade dos poemas e dos manuscritos continuou noa anos seguintes. Em 1777 foram coligidos e publicados em livro, pela primeira vez, os poemas de Thomas Rawley. Em 1803, numa edição por subscrição, saíram finalmente como obras de Chatterton.
É quase impossível não deixar de traçar paralelismos com certos comportamentos actuais. Se as situações parecem atrair a curiosidade são de imediato exploradas, independentemente da sua qualidade. Thomas Rawley era tão conhecido quanto Chatterton, mas uma diferença existia: enquanto o primeiro vivera no séc. XV, o segundo era contemporâneo no séc. XVIII e um total desconhecido. A obra, em inglês arcaico, foi alvo de publicações e posterior discussão, porventura sendo estes, sinais de uma evidente qualidade então reconhecida. Contudo Chatterton, após as primeiras denúncias, não mereceu, sequer em nome próprio e já sem qualquer embuste, que a sua obra fosse publicada na imprensa da época. Tinha ou não qualidade ? Valia pela antiguidade, mais do que pela erudição ? Se sim, porque razão foi publicada por mais duas vezes, a última das quais em nome do legítimo autor ? E será a antiguidade das coisas sinónimo imediato de merecida atenção ? Ou deverá a qualidade imperar, em todas e quaisquer circunstancias ?
Inclinamo-nos para esta última. Definitivamente. Bem como defendemos que a qualidade, salvo honrosas excepções, é um dom que se pode ter, mas igualmente perder. Por exemplo, a idade faz-nos perder algumas qualidades. Essa perca pode ser mais ou menos notória, mas existe, pode ser mais ou menos tardia, mas será inevitável. Quem já produzíu com qualidade pode deixar de o fazer. As obras - no sentido isolado do termo - ao contrário, quando são credoras de admiração sê-lo-ão sempre, porque a obra é estática, não sofre erosões,é eterna. As obras, quando consideradas no seu conjunto, são mutáveis, tanto pela evolução, como pela demonstração de retrocesso. Nesses momentos, particularmente, a opinião sobre o seu criador degrada-se, são subvalorizadas. A evolução implica, bastas vezes, a divisão do acto criativo em períodos. Estes são depois avaliados e catalogados como mais ou menos ricos, de maior ou menor exaltação das capacidades e génio do seu autor.
No nosso País estamos repletos de exemplos de qualidade, que demoraram o seu tempo a pontificar e fortalecer merecida fama e de outros, que sem qualidade, mas por estarem na "moda", foram guindados para patamares que o tempo se encarregará de colocar nos devidos lugares. O tempo é um amigo fiel da verdade das coisas. Nada lhe escapa.
Também na política estes princípios se aplicam. Senão como explicar que Mário Soares afirme que o povo português é "burro" caso não dê uma vitória clara, por maioria absoluta, ao PS e que Freitas do Amaral apele ao eleitorado do PSD que não vote em Santana Lopes. É o ocaso de duas figuras públicas, com lugar na história de Portugal, o segundo com intermitências de avaliação e o primeiro destinado a pertencer à galeria dos famosos, porventura na sala dos horrores. Nada que apoquente o Dr. Mário Soares, que se fosse católico, creio eu, até preferiria o inferno......eu preferiria e sou católico. Os meus amigos ou já foram - felizmente ainda muito poucos - ou irão todos lá parar. Que seca que seria então o Céu......

22.1.05

Bom Dia

Edward Hopper Posted by Hello
"Podem os indivíduos levar vidas separadas no tempo e no espaço, mas, no fundo, muito para além do espaço e do tempo, podemos ser todos parte de um mesmo corpo".
Einstein e Freud juntos, o melhor de dois mundos, na concepção de Durrel, ou a influência hindu num espírito ocidental.
A interacção entre universos paralelos, um interno ( a mente ), outro externo ( o meio ) e a interacção com a alma - os vários egos.

21.1.05

Sabedoria
É necessário recuperar a sabedoria, no sentido mais amplo do termo, o mesmo é dizer, preservar a independencia de espírito, não só das armadilhas da ditadura do pensamento e acção política, mas sobretudo do empobrecimento das consciências.

( João Fernandes )
Fundamentação Fiscal
A coerção política do Estado justifica-se pelo objectivo redistribuição, atendendo à impossibilidade de confiar na redistribuição voluntária.
Em períodos recessivos, se o Estado optar por uma política contraccionista, aumenta o número de empresas que fecham, o número de desempregados cresce, o montante das transferencias para as famílias aumenta, - i.e., fundo de desemprego - aumentando a despesa pública não produtiva e diminuindo a receita fiscal. Aumenta, concomitantemente o défice, pelas piores razões. Mas serão todos os défices maus ?
Não, até os há bastante saudáveis e virtuosos, desde que correspondam a geração de riqueza e capacidade de reembolso. O problema é, então, qualitativo - como se gasta!.
Mas esta capacidade exige competências reforçadas de gestão da coisa pública, exigindo, simultâneamente, crescente responsabilização pelos resultados obtidos na gestão pública, pela receita e despesa.
Sem estes atributos não existe capacidade de fundamentar a coerção política fiscal sobre os contribuintes, pois estarão estes a dispôr de valores que muito para além de cumprirem a sua obrigação social, são utilizados erradamente, perdendo a sua capacidade multiplicativa.
Porventura, o Estado português, à míngua de receitas fiscais e inexistência de receitas extraordinárias, se veja forçado a jogar todas as semanas no euro-milhões, no totoloto, totobola e lotaria e ainda necessite, perante a incerteza das citadas fontes de rendimento, de jogar nos casinos, na vermelhinha e toda a espécie de raspadinhas que proliferam no mercado. Ou talvez, nesse dia, quando as receitas forem muito diminutas se assista a uma aplicação correcta dos dinheiros colocados à disposição do Estado. Mas o tempo perdido já terá sacrificado mais uma ou duas gerações de portugueses.

Bom Dia
Ian Sidaway, aguarela Posted by Hello
A Receita do Dia

Miami Beach
Num shaker meio-cheio de cubos de gelo, deitar:
  • 4/10 de scotch (ou bourbon)
  • 3/10 de vermute branco seco
  • 3/10 de sumo de laranja

Agitar e coar directamente para copos longos.

20.1.05

Razões para a miséria....

Não é possível separar o trigo do joio, quando se fala em condições de vida, bairros degradados, consciência cívica, humana e paternal, condições económicas e assistência social.
Os bairros pobres, da periferia, existem porque o estado-providência não funciona. As famílias são empurradas para vidas que não queriam, para ambientes que detestam, de início, mas onde após alguns meses de integração acabam por se adaptar. Que remédio! As carências são muitas, a todos os níveis.
Quando somos acordados com a notícia de que uma casa ardeu e morreram duas crianças ente os 4 e os 6 anos, porque os pais não se encontravam em casa no momento da desgraça, estamos todos a ser conduzidos, indecentemente, num engano. Porque a notícia se destina aos mais esclarecidos, áqueles que vêem a TV e lêem os jornais. Destina-se àqueles cujas vidas não tocam aquelas que são mostradas e que desenvolveram um espírito crítico muito especial: todos os que não vivem pelos nossos padrões vivem erradamente, ou por outras palavras, o problema reside em cada um deles, encarado individualmente.
Não poderá existir maior engano. A vida é fruto das circunstâncias e o meio ambiente é fundamental na sua percepção. Se existem pais que abandonam os filhos por umas horas, porque se vão instalar a ver televisão num qualquer café rasca de um qualquer bairro degradado é, precisamente, porque foram inseridos e vivem num ambiente onde a dignidade humana foi reduzida ao zero, onde a consciência se perde e os valores não existem. A assistência social é um mito, o País votou-os ao esquecimento porque não apresentam condições económicas consideradas mínimas para serem consideradas como pessoas. Não interessam nem são interessantes, não decidem eleições (nem sequer votam).
Insiste-se na construção de bairros de realojamento que ab initio são guetos, para guardar esta miséria toda junta, longe dos outros olhares (longe da vista, longe do coração).
Os valores que contam são estipulados pelo preço do metro quadrado dos terrenos e da habitação. Misturar portugueses de condições sociais variadas é um mau negócio para os construtores civis, para as Camaras Municipais, enfim, para todos os agentes envolvidos.
Entende-se então e dá-se como bom o princípio que uns têm direito a uma vida normal e que outros nem tanto. Depois, para apaziguar consciências, basta dizer, com convicção: coitados tiveram azar!
A mim não me basta esta justificação. Quero outras: quero saber porque razão é voz corrente que nas adjudicações públicas os bens transaccionados custam 3 a 4 vezes mais o seu valôr de mercado; porque razão cada vez que muda um governo se trocam os automóveis e se redecoram os gabinetes; porque razão é tão difícil para uns arranjar o primeiro emprego ou manter o que têm e para outros essa dificuldade não existe; porque razão a saúde e a educação não chegam a todos de igual modo e idênticas condições.
Adorava saber porque raio numa sociedade dita democrática não nascem todos iguais e ninguém com responsabilidades parece preocupar-se um chavo com isso.
O que é Portugal hoje? Um País? Um cabaret? Um antro de medíocres e psicopatas? Uma associação de malfeitores?
Não sei ou não quero responder, mas uma coisa sei: este não é o meu País, não o reconheço!

19.1.05

Alvorecer. Despertar consciente da mente.
Retoma dos sentidos, das sensações, dos prazeres.
O beijo da mulher e dos filhos.
O convívio com os amigos.
Trabalhar, amadurecer, aprender. Escrever.
VIVER.
Bom Dia
Stephen Crowther Posted by Hello

18.1.05

Devoção
O vento sopra forte, de longe,
Traz frio, gelo, desconforto,
Traz a miséria do morto
Coberto nas vestes de monge.

Vida ao amor dedicada
A todos aqueles que servíu,
Vidas cheias de um vazio,
Na esperança mortificada.

Bornal de caridade à ilharga
Víu muita violencia e agrura,
A todos encheu de ternura.
A vida continuava amarga

Tudo que tinha intuído:
Os pobres sempre mais pobres,
Outros com ar de nobres.
Nada fazia sentido.

Nascemos todos iguais
Só por um simples segundo.
Tempo curto, que cava fundo
As diferenças, os sinais.

Daí para a frente é o norte,
A sina de todos nós.
Muitas vêm já dos avós,
Outras são-no por sorte.

Monge se fizera e assim sucumbiria.
Na igreja procurara o alento
A alegria, a irmandade, o sustento,
A razão da existência que tanto queria.

( João Fernandes )


16.1.05


William M. Harnett
Objectos para um momento de ócio, 1879 Posted by Hello
Pois quem suportaria as chicotadas e mofas do mundo,
A tirania do opressor, a insolência do orgulhoso,
As dores do amor desprezado, as delongas da lei,
A arrogância do poder..... ?

( solilóquio " Ser ou Não Ser" )
William Shakespeare
Hamlet
Curiosamente, sobreveio-me um pensamento interessante e pertinente quando observava, numa sala de espera de um qualquer consultório em Lisboa, um lindo e enorme peixe dourado, num aquário pequeno, desmesuradamente pequeno para o tamanho do animal.
Embora bem alimentado o bicho não gozava da liberdade, sequer, de se poder movimentar com àvontade. Fê-lo contudo, frenética e loucamente, quando resolvi ligar e desligar num ápice, o percursor de injecção de alimentos dentro do meio aquático a que está confinado. O "reflexo de Pavlov" estava lá todo, todinho. O bicho ganhou asas ao ponto de saltar, por uma vez, para fora da própria água e suspender-se, por momentos, no ar. Curiosamente é fora de água que o peixe morre e, mesmo assim, quis-me parecer que aquele momento foi o único de verdadeira liberdade que gozou enquanto o observei ( umas boas 3 horas ).
Curiosa foi, igualmente, a impossibilidade de evitar a comparação, entre o peixe na redoma, bem nutrido mas na redoma, e todos os executivos ( nunca gostei da palavra ), políticos e demais funcionários, que atingindo determinados patamares de reconhecimento social se encontram totalmente vendidos a quem os mantem, ou seja, às chefias superiores, àqueles que efectivamente controlam os "reflexos de Pavlov".
Estes "peixes" discutem mordomias como a marca e modelo do carro de serviço que vão utilizar, os PPR que vão gozar, o tempo de férias de que vão disfrutar, o número de vencimentos anuais que vão auferir e respectivos montantes. Depois é vê-los aceitar e acatar todo o tipo de situações, de constrangimentos, de humilhações mesmo, nalguns casos. O "leit motiv" é, contudo, permanecer nas boas graças e poder disfrutar das regalias bem visíveis, bilhete de identidade de reconhecimento do sucesso profissional e social alcançado.
Mas na verdade são infelizes. Permanecem "dentro de água" toda uma vida, mas sem espaço, com ideias mas, bastas vezes, incapazes de as exporem, com receio de serem profissional ou políticamente "incorrectos". Os momentos de liberdade só existem quando se salta para fora do meio, mas isso significa a "morte". A reforma chega e, com ela, o desenrolar de uma série de frustrações que definham, matando lentamente. São incapazes de fazer qualquer outra coisa que não seja trabalhar bajulando. A 2ª mais importante que a primeira, pois é essa que desencadeia o mecanismo de "alimentação" e, por consequencia, o "reflexo pavloviano". Sem este, nada mais existe: nem ideias próprias, nem vontade própria. Foram de há muito suprimidas, reprimidas, esquecidas.
Após tantos anos não existe, sequer, consciencia de classe. Não existe classe.
Existe uma reforma e a ténue e vaga esperança de que alguém, mais novo, mostre disponibilidade para ouvir, vezes sem conta, histórias passadas, normalmente envolvendo e exaltando nomes que a outros nada dizem, mas que para os próprio representam o poder "itself", escamoteando, através de uma falsa conivencia que nunca existíu, a amargura de uma existencia pessoal e profissional que não passou de uma miragem e que, a haver coragem na assunção de uma vida desperdiçada, o seu íntimo ditaria que fossem mais denegridas do que aclamadas.
Mas quem é que tem coragem, no fim da vida para dizer: A MINHA VIDA FOI UMA MERDA, totalmente inaproveitada e vendida a demasiados bens materiais.


Edward Hopper
Pessoas ao Sol, 1960 Posted by Hello

15.1.05


Estéticamente belo e intensamente sugestivo. Posted by Hello
Receita do Dia

Dente de Tubarão
aperitivo
Num shaker meio-cheio de cubos de gelo, deitar:
  • 3/1o de rum
  • 2/10 de vermute seco
  • 2/10 de sumo de maracujá
  • 1/10 de sumo de limão
  • um golpe de angustura

Agitar e coar directamente para taças de cocktail


11.1.05

DESEJO

Manhã cedo na Avenida
Cruzo-me com Rita, a adorada.
Cabelo ao vento, saia rodada,
Largo sorriso, toda sabida.

Um dia terei, estou confiante,
Oportunidade de chegar tão perto,
Que todo eu, decerto
Saltarei frenético, arfante.

Todos os dias me cruzo,
Será hoje, amanhã ?
Levo uma flor, uma maçã ?
Quero embalá-la para meu uso.

Ganho coragem.
Chegou o dia,
Digo: Bom Dia!
Ganho vantagem.

Ela parou, agradeceu.
Pisquei-lhe o olho, vi-lhe o decote.
Saracoteou-se a bela, lisonjeada.

Senti-lhe a coxa, o que é que me deu!
Minhas mãos voaram com um só mote.
Suspirou fundo, sentiu-se amada.

Vamos para minha, para tua cama,
Tanto me faz, quero é ir.
Quero sentir todo o fluir
De meu corpo na tua chama.


( João Fernandes )



10.1.05

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: - Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida.

( Luís de Camões )

9.1.05

A Propósito de Futebol e Fair-Play
Três situações:

  • a equipa A tem a bola e verifica que um jogador da equipa B está necessitado de assistência. Atira a bola fora. Existe Fair-Play. A equipa B repõe a bola com um pontapé para a frente, para uma zona próxima da área da equipa A. A bola é devolvida mas para uma zona de jogo diversa da incial. Falta de Fair-Play da equipa B.
  • a equipa B ganha uma bola a um jogador adversário, que pretendendo travar um ataque perigoso, se atira para o relvado, queixando-se. Não existe Fair-Play na atitude de atirar a bola fora, mas tão sómente ingenuidade. Total falta de fair-play do jogador que simula a falta. Contudo o público assobia e os jogadores da equipa A insurgem-se. Deturpação do conceito de Fair-Play.
  • a equipa A tem a posse da bola. O jogador da equipa A que conduz a bola verifica que um colega está caído. Atira a bola para fora. O jogador é assistido. A equipa B, com posse de bola, devolve a bola à equipa A. Não existe Fair-Play, mas tão sómente deturpação do conceito. O jogador da equipa A que atira a bola fora toma a decisão baseado na necessidade de ter 11 elementos em campo. É uma atitude que é tomada tendo como objectivo manter a equipa na máxima força. O adversário não tem de devolver a bola.

Em conclusão diria que, exceptuando a primeira situação e mesmo assim esta só em parte, o Fair-Play é um conceito totalmente deturpado. Qualquer mente esclarecida e culta percebe a deturpação que vigora.

Proponho, então, que se volte ao velho esquema de ser o árbitro, enquanto juíz e avaliador do jogo, determinar quando este deve ser interrompido. Caso não veja alguma situação terá a oportunidade de contar com a ajuda preciosa dos seus auxiliares.

E já agora, para quando dois árbitros no terreno de jogo, possibilitando um ajuizar dos lances muito maior, bem como o posicionamento de um deles na linha final, sempre que se desenrolem ataques no último terço do campo.


LOJA VIRTUAL.
A pechincha do dia (só para membros Gold)

Confortável. De pele genuína. Sestas garantidas. Posted by Hello

Central Station, NY Posted by Hello

Valiosa contribuição para a compreensão do pensamento de A. Einstein.
Capa da 1ª edição, datada de 1989. Posted by Hello
A receita do Dia (a partir de hoje )
PinK GiN
num copo de mistura com cubos de gelo, deitar:
  • 4cl de Gin
  • 2 golpes de angustura

Agitar bem. Coar para uma taça de cocktail arrefecida. Servir com uma garrafa de água mineral fresca, sem gás.

Sweet Martini

Num copo de mistura com gelo deitar:

  • 7/10 de Gin
  • 3/10 de vermute tinto

Misturar energicamente com a colher e coar directamente para taças de cocktail. decorar com uma cereja.


Reflexo

Num gesto se exprime
A maneira, o sentido
A atitude sublime
D´um toque polido

Na totalidade exarada,
A educação apreendida
Atenção empenhada
Na cultura absorvida

Meus Pais, Quanto Vos devo
Nem eu sei ao certo.
Tudo que sou é acervo
Do Vosso Amor e Afecto

( João Fernandes )



6.1.05

A Administração

Bush disponibilizou, por agora, mais de 350 milhões de dólares para ajudar o esforço de recuperação dos efeitos devastadores do "Tsunami". Foram igualmente os primeiros a aparecer com ajuda humanitária e forças médicas e militarizadas nos momentos subsequentes ao cataclismo. Os EUA sabem dizer presentes quando se espera que o façam e, acima de tudo, quando as outras potências se encontram depauperadas, a viver das "pratas da avó" e de tiques senhoriais.
Agora não se ouve o Bloco de Esquerda ( O que são ? O que querem ? ), o P. Comunista ( Quem foram ? Saberão o que querem ? ) nem o P. Socialista ( Não sabem quem são! Sabemos o que querem! ) dizerem uma palavra que seja sobre a ingerencia americana em mercados de milhões de pessoas. Mas os americanos são os únicos que têm uma verdadeira política externa. São também os únicos a poder ajudar de facto, seguidos por novas potencias como a Austrália
Excelente chapelada G. W. Bush. Grande lição à Europa que tem vivido à sombra da economia americana desde a 2ª GG. Um viva sentido aos EUA, a única e verdadeira democracia mundial.
TEMPO
Antes de Tempo. Com Tempo.
Sem Tempo. A Tempo.
Fora de Tempo. Tanto Tempo.
Tanta falta de Tempo.
O Tempo confinado no Tempo.
O Tempo assumido a Tempo.
O Tempo, esse Grande Arquitecto.
Vamos a Tempo ?
Teremos Tempo ?
Que faríamos com Tempo!
Que faremos com este Tempo!
Passar o Tempo.
Desperdiçar Tempo.
Ganhar Tempo. Perder Tempo.
O Tempo, esse Grande Arquitecto.
O Tempo Perfeito ? 9 Meses de Gestação

( João Fernandes )



Sem Sentido
Percebo que políticamente se utilizem os argumentos possíveis contra os adversários, na busca de crescentes apoios às ideias e projectos defendidos.
Já não percebo que, após decisão do Governo - esteja ou não em gestão, está em funções - de investir 135 milhões de euros em meios de combate a incendios, que nos últimos anos têm destruído recursos naturais tão preciosos, contribuindo para aumentar a miséria do País, ainda mais quando estamos num ano em que manifestamente o tempo seco que se faz sentir rivaliza com os verificados nos últimos dez anos, se apelide de eleitoralista tal medida.
Pergunto-me: é ou não necessário investir em meios de combate aos incendios ? Têm-se ou não gasto fortunas a contratar meios a países terceiros, não para prevenção aos incendios, ou o seu combate "in tempo", mas tardiamente, quando esses meios nos são colocados à disposição por aqueles que no-los cedem e mesmo assim dependentes da sua possível necessidade, por parte destes, a qualquer altura, como já aconteceu com Espanha.
Dotar as corporações e a protecção civil de meios é eleitoralista ? Mesmo que o seja dirige-se ao bem comum e, assim, digo convictamente: VIVAM AS MEDIDAS ELEITORALISTAS!

4.1.05

E Agora Pôncio.......
Honestidade exige-se. Pôncio Monteiro dá uma entrevista à TSF onde declara, solenemente, que não fará campanha ao lado de Rui Rio.
O que esperava depois ? Que outros quisessem fazer campanha a seu lado ? Para Pôncio o futebol é mais inportante que a política. Santana Lopes devia ter percebido isto há muito tempo. Também há muito tempo que Pôncio mostra maior apetencia pela chicana futebolística, poupando-nos ao ressabiamento político, que tanto tem contribuído para a sua descridibilização. É melhor um País sem Pôncio, que um Pôncio na Assembleia, a chupar o nosso dinheiro e a pensar no futebol.
SEJA HONESTO sr. poncio.

A Polémica do Cartaz......
Cavaco Silva não quer aparecer no cartaz que faz referência aos vários líderes de Governo, membros do PSD.
A solução é simples: colem os cartazes e borrem, de preto, a cara de Cavaco. Poupa-se nos cartazes e na memória do Povo.

A um mês e 16 dias.....
de eleições assiste-se a um contínuo ruído que mais não pretende que descridibilizar, ainda e sempre, PSL.
Astérix diria: " Roma é mais poderosa que a Gália, mas o meu pilo é mais forte que o teu externo"......
Se as bases parecem estar satisfeitas com o seu líder, prometendo que a afluência a estas eleições possa ser bastante movimentada, o mesmo não acontece nas cúpulas. Bebem e comem todos da mesma malga, há muitos anos. Conhecerão, seguramente, muitos podres uns dos outros, dormirão melhor uns que outros, mas que raio, o que pode assustar assim tanta gente, ao ponto de não darem tréguas a PSL desde Julho de 2004 ?
A questão é pertinente, porque é do passado recente que se trata e do nosso futuro, que se hipoteca. Pouco importa quem critica. Pacheco Pereira ? Já esteve em Bruxelas. Ou, por outras palavras, já gozou dos favores do sistema. Marcelo R. de Sousa ? Goza dos favores do sistema sistemáticamente. Tudo lhe é permitido dizer. E ainda lhe pagam para isso. Régiamente. Curioso que tenha tido oportunidade de falar como líder de um partido político e tenha falhado.
Mário Soares ? Cavaco Silva ? O primeiro bebia Möet, quando o segundo bebia Teobar ( tinto ou branco, tanto faz ). A diferença mantém-se: o primeiro tem uma quinta em Nafarros; o segundo tinha uma vivenda de nome MAriAni ( imaginam um nome destes ? Nem vos digo donde vem porque já perceberam claramente - piroso, piroso, piroso ). Ambos se julgam iluminados - com muitas lampadas fundidas. O segundo que não existem políticos competentes no activo, o primeiro que um governo de salvação nacional, hoje em dia, chama-se PS. Salvação do PS, entenda-se. Mas será melhor um do PSD ? Não, vos digo, é igual. A diferença reside em PSL. É um político. Os outros não sabem o que são. Mas será PSL capaz, sózinho, de fazer algo de positivo pelo País ? Claro que não!
Vai ganhar as eleições ? Vai!! Vai governar com quem ? Primeiro terá de governar com a comunicação social. Esta terá de ser mais construtiva, para que os homens de bem que existem em Portugal encarem a actividade pública como um desafio sério e não um sério desafio de verem as suas vidas devassadas ( é aqui que o dogma de Cavaco Silva se afirma como verdadeiro ) . É primordial. Depois que chame a si gente capaz de um empenhamento sério com o País e consigo próprio. Ministros que falem menos para o exterior e conversem mais no interior do Governo: menos protagonismo.
Que PSL seja ele próprio - demagogo - capaz de tomar medidas extremas, capazes de convencer os portugueses de um desígnio nacional.
Dêem tréguas pessoais. Assumam que o País não comporta os vencimentos que tem. Todos. Assumam ainda que a culpa não é de um, dois ou três, mas de todos, sem excepção. Todos contribuíram em 30 anos de desvario.
Chegou a altura de mudar, seja de que maneira fôr. Qualquer mudança é válida. Qualquer uma!


3.1.05

Mais vale tarde....
Regressei encostado ao Natal - Quadra para ser vivida em Família - e não a 16 como previsto. Nova Iorque é sempre destino adequado e, nesta época, quase obrigatório, ao mesmo tempo denso, desafiante e envolvente.
Fim de Ano de permeio e eis-me de volta a este espaço. Tempo também de meditação.
Estar ausente do País, nos dias que correm é algo que se assemelha muito a uma telenovela.
Pode passar um mês sem que se veja para não perdermos pitada. E este facto, por si só, faz-nos pensar e, concomitantemente, repensar a escrita. Não estaremos nós próprios a repetir-nos, numa escrita sem sentido, só porque consideramos esta um dos exercícios mais entusiasmantes para o intelecto ? O outro será, porventura, pintar! Para mim é!
Há, então, que ponderar e recomeçar conscientemente. Espero tê-lo conseguido.
I´M BACK!!
Junto duas imagens que falarão por agora.
A escrita continua...dentro de momentos.

Fabulosa NY Posted by Hello

New York Posted by Hello

7.12.04

Este blog irá sofrer uma interrupção momentânea de uma semana. Voltará ao activo a 16 deste mês. Até lá estará o autor em NY, cidade que muito aprecia e à qual não se desloca desde Out. de 2002.
Tentarei captar algumas sensações e, se a tanto me ajudar o engenho e a arte, passá-las a escrito neste mesmo sítio.
Até lá....
A Casa Civil do Pres. da República
avançou com explicações que muito pouco explicaram e que deixam, simultâneamente, muitas dúvidas.
Em momento algum se refere à conversa tida com o Prim. Ministro, a não ser para mencionar que a decisão é solitária, ou seja, não negociável com ninguém, razão aventada, igualmente, para a sua comunicação ao PM, mesmo antes de ouvidos os partidos e o Cons. de Estado. Assim o preceitua a Constituição. De facto, a decisão de dissolver a Assembleia cabe inteiramente na esfera de atribuições do PR.
A questão coloca-se ao nível do que foi afirmado pelo Pm e não foi desmentido pelo PR. Se Jorge Sampaio já tinha tomado a decisão na 2ª feira, porque razão não a comunicou de imediato ao PM ?
Tinha evitado que este fizesse convites para preencher o cargo de Ministro deixado vago pela saída de H. Chaves e que se apresentasse no dia seguinte em Belém, com o nome do sucessor, para ouvir da boca do Presidente que, afinal, ía dissolver a Assembleia. Cheira a atitude pouco pedagógica, com a mesma lógica com que há muitos anos atrás, na primária, se distribuíam réguadas quando se davam erros nos ditados, ou se tinha um comportamento considerado à época, menos aceitável. Ficamos sem saber se o PM não sabe escutar ou ler nas entrelinhas do discurso político do PR, ou se este pretendia arrastar a novela da dissolução por mais um ou dois dias, permitindo que o PM afirmasse perante o País que a situação era de entendimento entre os dois oórgãos de soberania e que o governo não caíria, para de seguida o desdizer, comunicando-lhe o contrário. No comunicado da Casa Civil do PR não perspassa, em momento algum, que a conversa de 2ª feira tenha sido mal entendida pelo PM - afirma-se que a situação não era passível de discussão - ficando-nos, então, a segunda opção como a mais viável e, se assim for, a mais incorrecta.
Igualmente se diz que o Sr. PR comunicou as razões ao PM e, também, embora posteriormente, ao Pres. A. República. Mas não o fez ainda aos portugueses.
É, então, perfeitamente corrrecto que o PM não se tenha referido a essa conversa, esperando que o PR, ele próprio, dê essa satisfação à população, explicação que lhe é devida. Errou de novo o PR, a menos que esperasse que o PM furasse as regras básicas da educação e confiasse, públicamente, o teor de uma conversa privada. Não o poderia fazer e não o fez, a meu ver bem.
Sai desprestigiado o PR e o cargo que ocupa, bem como a importancia que lhe merece o a função de PM. Sai descridibilizado o sistema político. Permitíu ser colocado numa situação que poderia prefigurar um golpe de estado institucional, ou melhor, constitucional, dentro dos poderes permitidos pela Constituição. Permitíu que se questione a sua isenção e independencia perante o fenómeno político.
Aguardam-se com expectativa as razões que irá transmitir ao País na próxima sexta-feira.

6.12.04

A Gestão da Crise - Cap. II
A política tem a capacidade de nos galvanizar, quando bem interpretada, permitindo uma série de julgamentos e opiniões sobre as atitudes polítcas tomadas ou assumidas e, não poucas vezes, atingir objectivos que não estavam inicialmente previstos, ou, ao invés, redundar em enormes fracassos. Na realidade, é empolgante no seu jogo de inteligências, da"carta" que se joga, na dúvida que reside até ao fim se é "joker" ou não. Jorge Sampaio aguardou até ao momento em que se convenceu que o executivo estava esgotado, no discurso e pose políticas e no conteúdo programático. Em suma, supostamente um Governo sem soluções, com a agravante de ter toda a imprensa a pressionar de uma forma tremenda a opinião pública. Não me recordo de tamanha pressão nos últimos anos, nem mesmo quando A. Guterres "fugiu" à responsabilidade governativa. E mesmo sem a aludida pressão, A. Guterres não aguentou - note-se que não foi empurrado.
Jorge sampaio empurrou a maioria para fora do Parlamento, fez cair o Governo e, no entanto, ainda não explicou as suas razões, escudando-se em argumentos que, de tão frouxos, não conseguem esconder a realidade: J. Sampaio está à espera dos movimentos da maioria. E o que faz esta maioria entretanto ?
Apressa-se a aprovar o OE 2005, antecipando a sua votação e colocando, assim, um ponto final nas expectativas geradas em torno dos valores de aumentos na função pública e quando a sua aplicação - sabemos agora que podem ser aumentados todos os funcionários a partir de Janeiro do próximo ano, sem necessidade de recorrer a retroactivos, que as bolsas depauperadas não podem esperar - quais as mexidas no IRS e suas implicações, quais as diversas dotações orçamentais. Está aprovado o orçamento e agora venha de lá a oposição explicar com o que é que não concorda e porque razões e, acima de tudo, avance com soluções, ou seja, como é que faria se fosse governo. O diálogo está muito cingido, a maioria quase domina o espectro possível de discussão política no período que medeia entre esta aprovação e as eleições. Há um documento de base que vai servir de mote e há também o tema "scuts" e outros que marcaram estes quatro meses. Mas são todos "dossiers" que a maioria parlamentar, o governo e o Primeiro Ministro dominam.
Continua a pairar o risco do envio do documento pelo PR para o TC, para apreciação, que entretanto aquele dissolva o Parlamento e que o orçamento precise uma segunda votação para ser aprovado. Mas fica ultrapassada a responsabilidade pela não existência de um documento chave que permite aumentar o rendimento das famílias - directa, indirectamente e como indicador - para avaliar o desempenho do estado no próximo ano e, assim, impedidindo as entidades internacionais de perceberem qual o rumo que vai ser tomado pelo País, no que diz respeito às finanças públicas e plíticas de investimento, pelo menos até Junho de 2005, ou seja, meio ano. E acredite-se ou não, o primeiro semestre será sempre bastante condicionador do segundo, sobretudo em termos económicos.
A verificar-se este cenário, o discurso já iniciado de hostilidade "moderada" para com o PR e a sua postura política, subirá de tom. Jorge Sampaio está em segundo mandato, sabe-se que não depende de opiniões favoráveis ou desfavoráveis para se eleger, porque simplesmente não pode, mas não quererá e, principalmente, o PS não estará interessado que um Presidente afecto às suas cores políticas saia sobre forte ataque de uma fatia muito larga do eleitorado nacional. É curioso reparar como os segundos mandatos seguem um princípio comum: Ramalho Eanes atacou fortemente PS e PPD para criar espaço político para o PRD, um balão que tal como encheu se esvaziou, à imagem do seu progenitor. Mário Soares atacou fortemente A. Cavaco Silva, criando espaço para o seu PS e para a esquerda. Jorge Sampaio segue, igualmente, uma lógica partidária. A diferença está nos métodos e, enquanto que Mário Soares, raposa política, soube terminar sob chuva miudinha, Jorge Sampaio arrisca sair sob forte aguaceiro, ou enorme tempestade, se esta maioria se repetir no Parlamento. Acreditem, uma vez mais, que nada está decidido, que todos os resultados são possíveis e, que muito provávelmente, a maioria será a mesma no final de Fevereiro. Continuando.....
Sem respostas por parte do PR quanto às razões, também não sabemos ainda se esta maioria vai coligada. Eu creio que vai, mas na realidade ainda não sabemos, porque ainda não nos disseram. O PSD está disposto a encetar conversações e o CDS/PP está a ouvir "quem é quem" no partido. Entretanto aguardam-se as razões do PR e desgasta-se a comunicação social.
Alberto João Jardim, mordaz nas suas críticas, goste-se ou não, faz as primeiras despesas sérias da campanha. Pedro Santana Lopes aquece os motores e as bases começam a ficar motivadas. Paulo Portas mantém-se sereno, confiante e acima de tudo confiável, com grande sentido de estado. O eleitorado de direita começa a acreditar. As vozes que sopram ventos contrários ou estão descridibilizadas, ou interesseiras ( Cavaco Silva crê que os portugueses nunca elegerão uma maioria e um Presidente e, assim...) ou são dinossauricas. Cheira a 1978, a 1980, cheira a política. E assim cheira, porque são políticos os dois presidentes dos partidos da maioria. Pode o País não melhorar, a crise acentuar-se, cenário que nos espera em 2005 e 2006, mas este "gozo" político, para quem gosta de polítca ninguém o tira. Até porque a solução para Portugal provávelmente não passa por nenhuma das actuais políticas..........
Até lá, deixem-nos saborear a verdadeira política, viva, inteligente, de rua e não a que vínhamos tendo, de gabinete, cinzenta, interpretada por cinzentões.

5.12.04

Partilha de leitura dominical, que de muitas e ricas formas se alimenta o espírito.
Epígrafe
Murmúrio de água na clepsidra gotejante,
Lentas gotas de som no relógio da torre,
Fio de areia na ampulheta vigilante,
Leve sombra azulando a pedra do quadrante,
Assim se escoa a hora, assim se vive e morre...

Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida,
Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa...


(Eugénio de Castro)

SONETO
Pára-me de repente o pensamento
Como se de repente refreado
Na doida correria em que levado
Anda em busca da paz do esquecimento

Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado.
Pára e fica, e demora-se um momento.

Pára e fica, na doida correria.
Pára à beira do abismo, e se demora.
E mergulha na noite escura e fria

Um olhar de aço, que nessa noite explora.
Mas a espora da dor seu flanco estria,
E ele galga e prossegue sob a espora...


(Ângelo de Lima )

4.12.04

Hoje é dia de recordar Francisco Sá Carneiro, no aniversário da sua morte, pela frontalidade com que assumíu a vida, pública e privada, sem constrangimentos.
Viveu, com toda a certeza, feliz e certo de, em consciencia e acima de tudo, se respeitar a si próprio, assumindo nessa atitude o respeito para com todos os outros.


Situação com alguma piada
caso não estivessemos a falar de Portugal e dos portugueses.
O PR esqueceu-se de comunicar ao Pres. da Assembleia da República, segunda figura do Estado, a intenção de dissolver o Parlamento, mas não pode explicar as razões que o levaram a essa atitude porque ainda não conversou com os partidos polítcos e não convocou o Conselho de Estado. É de gargalhada!



A Questão dos PPR e Outros
Muito se discutíu e discute a implicação do fim dos benefícios fiscais, em sede de IRS, para os vários planos poupança oferecidos pelo sistema financeiro. A começar naturalmente pela banca, primeira interessada nestes instrumentos financeiros - já explicamos porquê.
"First is first": o Estado-Providência tem uma carga financeira enorme e uma responsabilidade social difícilmente mensurável, no que diz respeito a todos aqueles que já se retiraram e se irão retirar nas próximas décadas do mercado de trabalho e esperam, licitamente, receber uma contribuição mensal do Estado calculada com base nos descontos efectuados durante anos de trabalho. O sistema funciona com base na confiança e nada mais. Todos acreditam que aqueles que entram no mercado de trabalho descontarão para a segurança social e assim irão alimentar o sistema que permita aos que se retiram receber a contrapartida esperada.
O primeiro problema surge quando, por condições como a melhoria das condições de saúde da população, aumentando a esperança média de vida, a diminuição da taxa de natalidade, por razões que têm a ver com a expectativa de acesso a determinados bens e serviços as famílias tenderem a ter menos filhos e assim a aumentarem o rendimento dispomível e a não compensação destes factores pela diminuição da taxa de mortalidade infantil, o envelhecimento da população acaba por ser um facto e as despesas sociais são maiores que as receitas que lhe são afectas. Assim, temos cada vez menos contribuintes líquidos para fazer face a um aumento crescente das transferencias do Estado para as famílias.
Necessário se torna criar alternativas ao sistema, que caminha para a ruptura. Mas as alternativas só serão fiáveis se gozarem de confiança idêntica à gerada pelo Estado-Providência. O sistema financeiro está bem posicionado para o garantir. As instituições bancárias gozam de privilégios enormes de confiança e de imagem de solidez, que vêm dos tempos em que a banca inglesa dominava o sistema financeiro internacional, portanto bem sedimentada no tempo. Faz assim todo o sentido que a população activa procure, de uma forma crescente, o sistema financeiro para efectuar planos poupança.
O que não faz sentido é que estes planos poupança sejam na prática puras aplicações financeiras, com remunerações superiores aos depoósitos a prazo.
E não faz sentido porquê ? Porque a taxa de remuneraão que a banca pratica é inferior à que paga nos depósitos bancários a prazo, sendo através do benefício fiscal dessas poupanças que a remuneração do capital é obtida. Ou seja, é através daquilo que o Estado deixa de receber que a remuneração é efectuada. E é-o fundamentalmente para aqueles que têm capacidade de descontar até ao máximo permitido pelo código do IRS e durante cinco anos. Não abrange todos, só alguns e os que estão mais protegidos económica e financeiramente.
A situação é incorrecta e havia que alterar o sistema. Só que talvez a solução encontrada tenha sido a mais fácil e, assim, a que menos se ajusta às necessidades do Estado-Providência. Há que fomentar a poupança através de instituições privadas. Para tanto a população tem de sentir que colhe benefícios através dessa opção - não se pense que é fácil passar a mensagem de que o sistema de segurança social vigente, a não haver alterações, irá forçosamente implodir - e para esse efeito, a capacidade de repercurtir fiscalmente essas poupanças parece ser uma boa motivação. Terá de se ter em atenção sim, a necessidade dos contratos a efectuar junto das entidades financeiras contemplarem prazos de pagamento do capital que tenham a ver com a idade normal de reforma dos cidadãos e, muito provávelmente, ao invés de um reembolso único pelo montante do capital vencido, ser liquidado mensalmente, à imagem do procedimento do Estado.
O problema reside nas competências da banca em gerir carteiras de capitais com estas características e qual o nível de risco que estão dispostos a correr.

3.12.04

Ilusão
A brisa suave bate na cara. Uma madeixa deixa-se embalar na fronte e o sentimento de liberdade é enorme.
Reve-se numa enorme planície, verdejante, despojado de bens materiais, livre de espírito, sem preconceitos.
Imagina como seria se todos pudessem gozar de momentos como aquele.
Seria decerto tudo mais fácil, o relacionamento mais calmo. Haveria menos pressão. Que bom seria!
Arruma a lancheira, levanta-se, desliga a ventoínha e volta ao trabalho.


Ou o Défice ou o Crescimento Económico

O PEC aponta para duas preocupações fundamentais : coordenação das políticas orçamentais (gestão do euro. Limitador de tendências laxistas de países menos desenvolvidos - caso de Portugal) e crescimento (aproximação aos EUA e Ásia, através da inovação e competitividade).
No caso de Portugal - e até por que a França e Alemanha já incumpriram nos limites fixados para o défice orçamental - é de todo despropositado que se tenha como obectivo único e a roçar o fanatismo, o cumprimento do limite de 3% para o défice, ainda mais quando o objectivo é atingido sistemáticamente pela realização de receitas extraordinárias, que por definição são irrepetíveis.
A recuperação do crescimento económico assume-se como dramático. Os indicadores de crescimento portugueses afastam-se irremediávelmente da média europeia - 2001 UE15 1,7 Portugal 1,5; 2002 UE15 1,1 Portugal 0,4; 2003 UE15 0,8 Portugal -0,8; 2004 UE15 1,5 Portugal 0,5; 2005 UE15 2,0 Portugal 0,8.
Tendo em atenção os números, enveredar pela continuidade do contole do défice orçamental ( para Portugal 2001 -4,2; 2002 -2,7; 2003 -2,9; 2004 -3,2; 2005 -4,0 ) deixará de ser uma questão de fanatismo puro para se tornar decididamente num caso de fanatismo suicidário.
São necessárias taxas de crescimento superiores à média europeia e, para tanto, necessário se torna desenvolver todos os esforços no sentido de incrementar fortemente o investimento interno e externo, de apoiar as empresas nos processos de internacionalização, de alargar a base produtiva da economia nacional.
Investir e promover investimento não significa enveredar pelo despesismo ( este só será assim considerado se fôr não produtivo e, óbviamente, deve merecer um controle muito apertado ) mas sim afirmar plenamentre que as reformas estruturais de que o País tanto carece só se conseguem obter em ambiente dinâmico e não em ambiente recessivo.
Basta pararmos para pensar quantas vezes dizemos por dia que o País vai mal, que o desemprego aumenta, que as empresas fecham, que a economia estagnou, que o comércio está falido........e não é necessário saber de economia para se perceber tudo isto. A crise chegou à rua.
Tecnocratas monetaristas como M. Ferreira Leite e A. Cavaco Silva são de todo desnecessários. Não têm visão estratégica de longo prazo. Bom, não têm visão de todo, porque de curto prazo todos temos.

2.12.04

Ratoeira a Evitar
"Então acredita que é dono da fórmula da vitória. Consegue transformá-la num diagrama e verificar se este se ajusta à grelha que préviamente definíu. Funcionou bem no passado. Óptimo!
Até que, por fim, se apercebe que perdeu a oportunidade de realizar a própria vida".

1.12.04

A Questão Orçamental
A posição da coligação governamental é clara e, simultaneamente, lógica e políticamente correcta, no que diz respeito ao OE 2005.
As razões de dissolução da maioria parlamentar, embora ainda não explicitadas pelo Sr. PR, em clara falta de respeito por todos nós, pois deveriam ter sido avançadas de imediato, porque todos necessitamos de saber, in tempo, as razões para tão gravosa decisão, parecem pender, preferencialmente, para críticas violentas ao OE de 2005, no sentido de este se afastar dos critérios de rigor exigidos pelo próprio PR aquando da tomada de posse deste Governo, concorrendo simultâneamente medidas como o não abaixamento do IRC, mexida nas taxas e fim de benefícios fiscais em sede de IRS, sendo as restantes situações - todos os "fait divers" que fizeram a história deste governo em 4 meses - razões acessórias e não fundamentais para justificarem tal posição política.
Pretende agora o PR que o Governo, por ainda não estar destituído, através da maioria parlamentar, faça aprovar o OE 2005, carregando para cima deste o ónus da sua não aprovação. Ou seja, se económicamente o País se ressentir da ausência de um OE, então a culpa vai inteirinha para o executivo. Vale a pena acrescentar, neste momento, que as consequências económicas se farão sempre sentir, com ou sem orçamento aprovado.
Na realidade o País está sem Governo e se existem carencias da máquina administrativa do Estado que são apontadas como factor condicionante do aumento do investimento, caso da falta de transparencia com que o Estado português é frequentemente etiquetado, então que dizer do País quando este não tem Governo de facto e em plenitude de funções autárquicas centrais!
Imagine-se, então, o cenário de aprovação do OE 2005 pela maioria parlamentar com respectivo chumbo posterior do PR. O chumbo seria justificado pela própria acção de dissolução do Parlamento, porque o OE tinha sido a razão fundamental desta posição presidencial. A maioria ficaria em posição delicadíssima, com um Governo de gestão e em período pré-eleitoral.
Imagine-se agora o PR a vincular-se à aprovação do OE 2005 pelo Parlamento. Que razões poderá invocar para a dissolução anunciada ? Tricas de gabinete ? Zangas entre amigos ?
Ficaria a questão: quais as verdadeiras motivações do PR ? E que explicações vai aventar para se justificar perante os portugueses ?
E se o Orçamento de Estado para 2005 é bom para o País não será este um sinal claro de que o Executivo conhece bem as realidades e necessidades de Portugal ?
No que ficamos então: presta ou não presta ?
Tem a palavra Jorge Sampaio. Se avalizar o OE fica sem argumentos. Se não o apadrinhar fica com o ónus.
Não lhe fica bem contudo e em nenhuma circunstância, passar a imagem de querer ganhar tempo ao mesmo tempo que armadilha o caminho dos opositores políticos. Até porque já mostrou, como sábiamente o referíu J.A. Saraiva este Sábado, que não é Presidente de todos os portugueses, mas só de alguns.
Reflexão a Propósito de Uma Crise - Parte I
Nas últimas décadas, em especial desde que Aníbal Cavaco Silva foi PM de Portugal, tem-se assistido à mudança progressiva - e até agora imparável - do pensamento político pela tecnocracia.
Igualmente a escola económica do B. de Portugal imperou nos últimos anos: a escola dos monetaristas - os economistas que entendem que as pessoas existem para servir a economia.
ACS mantém-se como grande referencia da política portuguesa, mas contudo e paradoxalmente, ACS é tudo menos político. É um tecnocrata que gozou do privilégio de ver em simultaneo, no 1º mandato, baixar o preço do petróleo e assistir a uma desvalorização do dólar americano, que a par dos fundos estruturais entrados pela porta de Bruxelas, lhe permitiram 4 anos de suposto crescimento e grande sucesso e um 2º mandato em que foram já visíveis, em face da ausencia de ajudas externas como as referidas, as suas diversas dificuldades de entendimento de uma economia que se quer virada para os indicadores sociais e não para dados estatísticos económicos. ACS não chamou a Portugal investidores estrangeiros, não fomentou uma política de educação virada para o conhecimento e não tratou de cuidar a saúde primária da população. Ao invés, negociou "dossiers" com a prioridade assente na construção de uma rede viária que aproximava populações, mas também reduzia a importancia que Portugal, enquanto mercado diminuto no conjunto do grande mercado ibérico, ainda poderia ambicionar ter como polo agregador de IDE. Todos estes "dossiers" gozaram de uma excelente aceitação por parte do nosso parceiro comercial espanhol, hoje responsável por cerca de 60% das nossas exportações, na medida em que Portugal e Espanha, conjuntamente, constituem um mercado superior ao mercado francês em número de consumidores, sendo neste plano, no número de consumidores e na sua matriz, que se jogam os destinos do IDE.
A ausencia de "spillovers", que o investimento automóvel em Palmela demonstra cabalmente pelo sua incapacidade de criação de polos de crescimento industrial relacionados, não sofreu qualquer alteração, pelo contrário, pelo facto da rede viária portuguesa ter aumentado em kms de auto-estradas e se ter reduzido, temporalmente, as distancias entre agregados populacionais. Esta política levou à criação de riqueza individual - a grande distribuição - mas não levou ao aumento da riqueza do País. ACS cometeu o mesmo erro que Espanha havia cometido 10 anos antes, gerando ricos mas não gerando riqueza.
Mesmo o investimento de Palmela, estandarte tantas vezes erguido, não atingíu os valores inicialmente previstos de novos empregos gerados directa e indirectamente e veio a obrigar o País, uns anos mais tarde, a negociar com dificuldade e enormes custos a manutenção da exploração fabril, sob pena de caírem cerca de 15% do valor absoluto das exportações portuguesas e cerca de 55% se considerarmos os bens de maior valor acrescentado. Ou seja, a economia nacional, no que se refere a bens de elevado valor tecnológico, está refém da Auto-Europa.
ACS não conseguíu fomentar, em Portugal, a eficência e sem esta não existe realmente produtividade. Sem sermos produtivos não podemos aspirar a ser competitivos. Daí que tantas vezes se confunda competitividade com produtividade nos discursos políticos. A verdade é que uma anda a par da outra. Se fôssemos eficientes a Auto-Europa ter-se-ia constituído num polo agregador de IDE, conforme nos explica tão bem os novos conceitos de geografia económica.
ACS foi então um bom guarda-livros, com as contas sempre certas, mas foi um economista redundante e, sem dúvida, prestou politicamente um mau serviço ao seu País.
A escola de Ferreira Leite é a mesma. Compreende-se então, que a despesa do Estado seja sistemáticamente confundida, enfiada num mesmo saco, seja ela produtiva ou não produtiva.
A preocupação dos governos, tenham a côr polítca que tiverem, deverá debruçar-se sobre a despesa estatal não produtiva. A despesa produtiva, ou seja, o investimento estatal, cria défices num primeiro período, mas gera igualmente receitas, tanto no mesmo período, consoante o tipo de investimento, como de certeza em períodos subsequentes, aumentando assim a riqueza - o PIB - e a capacidade de fazer face aos compromissos futuros. E não se pense que os investimentos estatais se confinam à construção civil e obras públicas. Na realidade vão muito além destes.
Estes investimentos são tão mais importantes, quanto é certo terem os estados, por via da adesão À UE, perdido as suas principais fontes de receitas - impostos e taxas aduaneiras. As receitas, hoje, confinam-se aos impostos sobre o rendimento e o consumo e estes estão largamente dependentes das condições de vida da população, da capacidade produtiva do País, da sua competitividade e da capacidade de atrair e reter capitais.
Não se percebe, então, que agentes económicos com responsabilidades, ataquem um executivo que pretendia, por via orçamental, fomentar o investimento público, substituindo-se ao investimento privado, receoso e apático, contribuindo por esta via para um aumento na confiança dos agentes económicos, levando numa primeira fase ao aumento do consumo e de imediato ao incremento do investimento privado, por indução do próprio mercado, leia-se aumento da procura. É a polítca contra-cíclica, a política económica correcta, a que considera ser a economia uma ferramenta que deve ser utilizada para servir o interesse das populações.
O problema surge quando, tantos anos passados, temos como PM um político e não um tecnocrata. Quando temos alguém que, por definição, sendo político corre riscos mas tem igualmente ideias - o demagogo - e se prepara para cortar com o passado recente, aplicando um conjunto de medidas que perseguindo um fim político se arriscam a colocar a nú a fragilidade dos "poderes" instituídos e, mais ainda, a ausência total de ideias para a condução de um País à deriva.
A persistência nos erros pode resultar em solução para os problemas. Estes deixam de o ser por corresponderem na exacta medida aos erros cometidos.
Talvez por isto e com isto, se oiça com força cada vez maior a germinação da ideia de uma aproximação ibérica. Talvez os lugares se estejam a jogar a outro nível, ao nível regional, à dimensão exacata da pequenez que caracteriza o pensamento político português e europeu no dealbar do séc. XXI.

30.11.04

Eleições Antecipadas
O PR decidiu-se por eleições antecipadas.
Multiplicam-se os comentários políticos. José manuel Fernandes, director do "Público" afirmava, em cima da hora, que caso se tenha verificado algum facto desconhecido ou caso a solução apresentada por PSL não tenha de todo sido aceite por JS, só mesmo a perca de credibilidade e erosão política de PSL e do seu Governo justificaria esta decisão, visto nada se ter alterado nos últimos 4 meses, espaço de tempo que medeou entre a decisão de empossar o Executivo e, agora, a marcação de eleições antecipadas.
Vê mal o problema José Manuel Fernandes. Duas únicas razões justificam a decisão agora tomada pelo PR:

  • falta de traquejo em funções governativas de PSL e que 4 meses se mostraram insuficientes para debelar, ademais quando sofre enormes pressões dentro do próprio PSD e, mais importante ainda
  • o PS 4 meses atrás não dispunha de uma liderança credível e seria um derrotado certo em eleições antecipadas. Hoje continua a não ter uma direcção credível mas goza do CAPITAL DA MUDANÇA e, nessas condições, tem muito maiores probabilidades de ter uma votação melhor sucedida do que teria quando este Governo foi empossado.

Há muito tempo que não se viam tantas sondagens em tão pouco espaço de tempo. E são caras as sondagens.

É de facto o "Regresso do Filho Pródigo" como antevia, para quem quis "ler" José A. Saraiva.


Razoabilidade Procura-se
Demitiu-se o Ministro do Desporto, Dr. Henrique Chaves. Baseou a sua decisão na falta de lealdade e solidariedade que sentiu. Simultaneamente apontou discrepancias no funcionamento do próprio governo.
O Dr. Henrique Chaves esteve no governo de Portugal por ser amigo chegado do Dr. Pedro Santana Lopes e homem da sua confiança. Só essa condição lhe permitiu chegar a Ministro, pois que a condição de militante do PSD, por si só, é insuficiente para justificar a escolha e, por outro lado, não se lhe reconhecem competencias específicas que o alcandorassem a uma lista de possíveis ministeriáveis, pelo que só mesmo aquela condição de homem de confiança justifica a escolha. Como justifica a manutenção do Dr. Gomes da Silva no Governo.
A este propósito há que referir ter perdido Gomes da Silva uma oportunidade única de emendar a mão e salvaguardar-se a si e ao Governo, se tem atempadamente pedido a sua própria demissão. Não que um Ministro deva cair porque um comentador político,chame-se ou não Marcelo Rebelo de Sousa, se demite de uma estação de televisão privada, com um núcleo accionista variado e cujas decisões de manutenção de colaboradores são e deverão sempre ser da estrita competencia do Conselho de Administração, independentemente de estarmos a falar de meios de comunicação social. Caberá à opinião pública decidir da tendencia do centeúdo informativo e de acordo com o interesse que manifestar, assim o sucesso do órgão de comunicação em causa será avaliado, repercurtindo-se de imediato nas receitas, o mesmo é dizer, nos resultados de exploração apresentados aos accionistas, decidindo estes, em última análise, pela boa ou má condução da empresa pelo CA e da oportunidade da sua substituição.
Aproveitou o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa para capitalizar a inépcia do Ministro, a abertura do PR para o receber - aproveitando Jorge Sampaio para mostrar que de facto não é presidente de todos os portugueses, mas tão sómente dos que se identificam política e ideológicamente com o PS - e do 1º Ministro que não quis mexer no executivo tão pouco tempo após a sua posse, demonstrando também, em simulâneo, a sua solidariedade para com um amigo de longa data. E tinha bastado a Gomes da Silva dizer que os comentários políticos de MRS não podiam ser levados a sério por este se encontrar excepcionalmente ocupado, semanalmente, com a leitura de cerca de 40 livros. Era uma resposta possível a um conjunto de "bocas" políticas ditas num canal de televisão, mesmo que estas fizessem sentido. Faltou humor e traquejo ao Ministro e, depois, senso comum e sentido de oportunidade.
Como respondeu, então, Henrique Chaves à confiança nele depositada por um amigo e à responsabilidade de ser nomeado Ministro.
Respondeu mal. Henrique Chaves não percebeu que não tinha perfil de Ministro. Em condições normais não faria parte de nenhuma lista dos 1.000 primeiros nomes ministeriáveis. A pasta que recebeu não tem importancia num País carente das condições mais básicas exigíveis numa economia ocidental. Falta mais saúde, falta mais educação, faltam meios de produção, falta uma justiça credível, uma máquina estatal eficiente, falta confiança económica, falta o poder político, faltam ideias políticas, falta muita coisa.
Sobram políticos incapazes, com visão de curtíssimo prazo, discursos vazios de sentido e conteúdo, oportunismo.
Henrique Chaves não gostou da pasta que lhe atribuíram, das funções que teria de exercer. Considerou-as menores, agora que as incumbências que lhe cabiam tinham sido reduzidas.
Usou a deslealdade como argumento, a falta de transparencia como argumento e tudo isso fez, na procura de visibilidade e de achincalhar aqueles com quem tinha privado - todo um governo.
Ser Ministro do Desporto não dá visibilidade. Tentou, então, usar a mesma arma de MRS, criar um facto político e capitalizar. Lembrou-se, talvez, dos três dias do Prof A. Oliveira Salazar. Bateu com a porta, dizendo que não havia condições para trabalhar. Não parou para pensar se a sua saída era de facto crucial para o funcionamento do Governo. Não é crucial, nem para este nem para nenhum. Não é o Dr. Henrique Chaves nem é a pasta do desporto, enquanto subsistirem em Portugal lacunas tão graves e básicas na esfera social e humana.
Henrique Chaves pensou sim e bem, que ao actual PR só interessa capitalizar forças para o PS, dar-lhe argumentos para o discurso político, alimentar a falta de ideias existente, criar factos políticos tendo em vista futuras eleições, que aos "media" faltam conteúdos e que estes fazem de tudo para encher os seus telejornais ou as suas páginas.
Só assim se justifica que o PR tenha chamado de urgência o PM a Belém para falar da suposta crise governativa. Como se algum País letrado entrasse numa convulsão política governativa porque o Ministro do Desporto tivesse decidido sair de funções - creio mesmo que estas funções só deverão existir em Países ricos, onde os dinheiros públicos permitam acréscimos de custos de funcionamento da máquina estatal - inculpando colegas de governação de falta de lealdade e transparencia.
Desleal e opaco foi o Dr. Henrique Chaves para com os seus pares e, particularmente, para com o PM.
Leal, talvez em demasia, tem sido o PM, ao tentar manter em funções Gomes da Silva e simultaneamente justificar a permanencia de membros na Administração Central com funções práticamente esvaziadas de conteúdo. Tudo em nome da amizade, da lealdade que os amigos nos merecem.
Talvez porque Pedro Santana Lopes segue o seguinte princípio: teu amigo não é aquele que te visita na "prisão" mas sim aquele que por estar ao teu lado também lá foi parar.

6.1.04

O dia nasce. Com ele renascemos no conforto de uma existência que, mesmo enviezada, oblíqua ou deformada, à nossa percepção - tal qual equilíbrio instável - se vê alimentada dos mais pequenos sortilégios que nos são dados apreciar, saborear, desfrutar, mesmo gozar. O sortilégio da comunhão das ideias, das trocas de palavras, dos risos cúmplices, das artimanhas da mente, dos raciocínios ladinos, do desafio intelectual. E então que dizer de tudo isto mas fora de horas, quando, supostamente, a mente pede descanso mas a alma se revigora, porque no encontro casual das palavras descobre ideias, cumplicidades, razões de sobejo para se manter acordada e pedir aquela que trabalhe, que encontre energias. Momentos assim perduram eternamente, carregados no tempo pelas ondas positivas que geram. Aconteceu-me esta madrugada, com uma Alma amiga

8.8.03

DILEMA

O País arde
Arde como arde a raça, o orgulho, o querer...
A vontade da Nação
O sentido de viver, de vencer

Tudo arde finalmente, físicamente...
À muito ardendo na alma
De quem por amor pátrio se ressente

E que dizer das desculpas, dos arrepios, das curvas acentuadas de
intelectos vazios
De uma classe política indigente, vigente
Que na falta de ideias, carácter e convicções
Arrastam um povo quase milenar mas perdido
Para um fim incerto, sem sentido

Estamos perdidos, sim, porque condenados a não saber que fazer
A fazer que não sabemos
Acatando ordens de quem não as sabe dar
A dar ordens a quem não as sabe escutar

Faltam as ideias, as convicções
Falta galvanizar o povo, a Nação
Falta vencer este fogo, que sem se ver tudo queima
Num caminho espesso, desigual...
Num caminhar errante, brutal...
Na voragem de uma clique sem chama...
Na ausência de Homens que dêm razão ao poema

Falta cumprir Portugal


( João Fernandes )