16.1.05

Pois quem suportaria as chicotadas e mofas do mundo,
A tirania do opressor, a insolência do orgulhoso,
As dores do amor desprezado, as delongas da lei,
A arrogância do poder..... ?

( solilóquio " Ser ou Não Ser" )
William Shakespeare
Hamlet
Curiosamente, sobreveio-me um pensamento interessante e pertinente quando observava, numa sala de espera de um qualquer consultório em Lisboa, um lindo e enorme peixe dourado, num aquário pequeno, desmesuradamente pequeno para o tamanho do animal.
Embora bem alimentado o bicho não gozava da liberdade, sequer, de se poder movimentar com àvontade. Fê-lo contudo, frenética e loucamente, quando resolvi ligar e desligar num ápice, o percursor de injecção de alimentos dentro do meio aquático a que está confinado. O "reflexo de Pavlov" estava lá todo, todinho. O bicho ganhou asas ao ponto de saltar, por uma vez, para fora da própria água e suspender-se, por momentos, no ar. Curiosamente é fora de água que o peixe morre e, mesmo assim, quis-me parecer que aquele momento foi o único de verdadeira liberdade que gozou enquanto o observei ( umas boas 3 horas ).
Curiosa foi, igualmente, a impossibilidade de evitar a comparação, entre o peixe na redoma, bem nutrido mas na redoma, e todos os executivos ( nunca gostei da palavra ), políticos e demais funcionários, que atingindo determinados patamares de reconhecimento social se encontram totalmente vendidos a quem os mantem, ou seja, às chefias superiores, àqueles que efectivamente controlam os "reflexos de Pavlov".
Estes "peixes" discutem mordomias como a marca e modelo do carro de serviço que vão utilizar, os PPR que vão gozar, o tempo de férias de que vão disfrutar, o número de vencimentos anuais que vão auferir e respectivos montantes. Depois é vê-los aceitar e acatar todo o tipo de situações, de constrangimentos, de humilhações mesmo, nalguns casos. O "leit motiv" é, contudo, permanecer nas boas graças e poder disfrutar das regalias bem visíveis, bilhete de identidade de reconhecimento do sucesso profissional e social alcançado.
Mas na verdade são infelizes. Permanecem "dentro de água" toda uma vida, mas sem espaço, com ideias mas, bastas vezes, incapazes de as exporem, com receio de serem profissional ou políticamente "incorrectos". Os momentos de liberdade só existem quando se salta para fora do meio, mas isso significa a "morte". A reforma chega e, com ela, o desenrolar de uma série de frustrações que definham, matando lentamente. São incapazes de fazer qualquer outra coisa que não seja trabalhar bajulando. A 2ª mais importante que a primeira, pois é essa que desencadeia o mecanismo de "alimentação" e, por consequencia, o "reflexo pavloviano". Sem este, nada mais existe: nem ideias próprias, nem vontade própria. Foram de há muito suprimidas, reprimidas, esquecidas.
Após tantos anos não existe, sequer, consciencia de classe. Não existe classe.
Existe uma reforma e a ténue e vaga esperança de que alguém, mais novo, mostre disponibilidade para ouvir, vezes sem conta, histórias passadas, normalmente envolvendo e exaltando nomes que a outros nada dizem, mas que para os próprio representam o poder "itself", escamoteando, através de uma falsa conivencia que nunca existíu, a amargura de uma existencia pessoal e profissional que não passou de uma miragem e que, a haver coragem na assunção de uma vida desperdiçada, o seu íntimo ditaria que fossem mais denegridas do que aclamadas.
Mas quem é que tem coragem, no fim da vida para dizer: A MINHA VIDA FOI UMA MERDA, totalmente inaproveitada e vendida a demasiados bens materiais.


Edward Hopper
Pessoas ao Sol, 1960 Posted by Hello

15.1.05


Estéticamente belo e intensamente sugestivo. Posted by Hello
Receita do Dia

Dente de Tubarão
aperitivo
Num shaker meio-cheio de cubos de gelo, deitar:
  • 3/1o de rum
  • 2/10 de vermute seco
  • 2/10 de sumo de maracujá
  • 1/10 de sumo de limão
  • um golpe de angustura

Agitar e coar directamente para taças de cocktail


11.1.05

DESEJO

Manhã cedo na Avenida
Cruzo-me com Rita, a adorada.
Cabelo ao vento, saia rodada,
Largo sorriso, toda sabida.

Um dia terei, estou confiante,
Oportunidade de chegar tão perto,
Que todo eu, decerto
Saltarei frenético, arfante.

Todos os dias me cruzo,
Será hoje, amanhã ?
Levo uma flor, uma maçã ?
Quero embalá-la para meu uso.

Ganho coragem.
Chegou o dia,
Digo: Bom Dia!
Ganho vantagem.

Ela parou, agradeceu.
Pisquei-lhe o olho, vi-lhe o decote.
Saracoteou-se a bela, lisonjeada.

Senti-lhe a coxa, o que é que me deu!
Minhas mãos voaram com um só mote.
Suspirou fundo, sentiu-se amada.

Vamos para minha, para tua cama,
Tanto me faz, quero é ir.
Quero sentir todo o fluir
De meu corpo na tua chama.


( João Fernandes )



10.1.05

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: - Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida.

( Luís de Camões )

9.1.05

A Propósito de Futebol e Fair-Play
Três situações:

  • a equipa A tem a bola e verifica que um jogador da equipa B está necessitado de assistência. Atira a bola fora. Existe Fair-Play. A equipa B repõe a bola com um pontapé para a frente, para uma zona próxima da área da equipa A. A bola é devolvida mas para uma zona de jogo diversa da incial. Falta de Fair-Play da equipa B.
  • a equipa B ganha uma bola a um jogador adversário, que pretendendo travar um ataque perigoso, se atira para o relvado, queixando-se. Não existe Fair-Play na atitude de atirar a bola fora, mas tão sómente ingenuidade. Total falta de fair-play do jogador que simula a falta. Contudo o público assobia e os jogadores da equipa A insurgem-se. Deturpação do conceito de Fair-Play.
  • a equipa A tem a posse da bola. O jogador da equipa A que conduz a bola verifica que um colega está caído. Atira a bola para fora. O jogador é assistido. A equipa B, com posse de bola, devolve a bola à equipa A. Não existe Fair-Play, mas tão sómente deturpação do conceito. O jogador da equipa A que atira a bola fora toma a decisão baseado na necessidade de ter 11 elementos em campo. É uma atitude que é tomada tendo como objectivo manter a equipa na máxima força. O adversário não tem de devolver a bola.

Em conclusão diria que, exceptuando a primeira situação e mesmo assim esta só em parte, o Fair-Play é um conceito totalmente deturpado. Qualquer mente esclarecida e culta percebe a deturpação que vigora.

Proponho, então, que se volte ao velho esquema de ser o árbitro, enquanto juíz e avaliador do jogo, determinar quando este deve ser interrompido. Caso não veja alguma situação terá a oportunidade de contar com a ajuda preciosa dos seus auxiliares.

E já agora, para quando dois árbitros no terreno de jogo, possibilitando um ajuizar dos lances muito maior, bem como o posicionamento de um deles na linha final, sempre que se desenrolem ataques no último terço do campo.


LOJA VIRTUAL.
A pechincha do dia (só para membros Gold)

Confortável. De pele genuína. Sestas garantidas. Posted by Hello

Central Station, NY Posted by Hello

Valiosa contribuição para a compreensão do pensamento de A. Einstein.
Capa da 1ª edição, datada de 1989. Posted by Hello
A receita do Dia (a partir de hoje )
PinK GiN
num copo de mistura com cubos de gelo, deitar:
  • 4cl de Gin
  • 2 golpes de angustura

Agitar bem. Coar para uma taça de cocktail arrefecida. Servir com uma garrafa de água mineral fresca, sem gás.

Sweet Martini

Num copo de mistura com gelo deitar:

  • 7/10 de Gin
  • 3/10 de vermute tinto

Misturar energicamente com a colher e coar directamente para taças de cocktail. decorar com uma cereja.


Reflexo

Num gesto se exprime
A maneira, o sentido
A atitude sublime
D´um toque polido

Na totalidade exarada,
A educação apreendida
Atenção empenhada
Na cultura absorvida

Meus Pais, Quanto Vos devo
Nem eu sei ao certo.
Tudo que sou é acervo
Do Vosso Amor e Afecto

( João Fernandes )



6.1.05

A Administração

Bush disponibilizou, por agora, mais de 350 milhões de dólares para ajudar o esforço de recuperação dos efeitos devastadores do "Tsunami". Foram igualmente os primeiros a aparecer com ajuda humanitária e forças médicas e militarizadas nos momentos subsequentes ao cataclismo. Os EUA sabem dizer presentes quando se espera que o façam e, acima de tudo, quando as outras potências se encontram depauperadas, a viver das "pratas da avó" e de tiques senhoriais.
Agora não se ouve o Bloco de Esquerda ( O que são ? O que querem ? ), o P. Comunista ( Quem foram ? Saberão o que querem ? ) nem o P. Socialista ( Não sabem quem são! Sabemos o que querem! ) dizerem uma palavra que seja sobre a ingerencia americana em mercados de milhões de pessoas. Mas os americanos são os únicos que têm uma verdadeira política externa. São também os únicos a poder ajudar de facto, seguidos por novas potencias como a Austrália
Excelente chapelada G. W. Bush. Grande lição à Europa que tem vivido à sombra da economia americana desde a 2ª GG. Um viva sentido aos EUA, a única e verdadeira democracia mundial.
TEMPO
Antes de Tempo. Com Tempo.
Sem Tempo. A Tempo.
Fora de Tempo. Tanto Tempo.
Tanta falta de Tempo.
O Tempo confinado no Tempo.
O Tempo assumido a Tempo.
O Tempo, esse Grande Arquitecto.
Vamos a Tempo ?
Teremos Tempo ?
Que faríamos com Tempo!
Que faremos com este Tempo!
Passar o Tempo.
Desperdiçar Tempo.
Ganhar Tempo. Perder Tempo.
O Tempo, esse Grande Arquitecto.
O Tempo Perfeito ? 9 Meses de Gestação

( João Fernandes )



Sem Sentido
Percebo que políticamente se utilizem os argumentos possíveis contra os adversários, na busca de crescentes apoios às ideias e projectos defendidos.
Já não percebo que, após decisão do Governo - esteja ou não em gestão, está em funções - de investir 135 milhões de euros em meios de combate a incendios, que nos últimos anos têm destruído recursos naturais tão preciosos, contribuindo para aumentar a miséria do País, ainda mais quando estamos num ano em que manifestamente o tempo seco que se faz sentir rivaliza com os verificados nos últimos dez anos, se apelide de eleitoralista tal medida.
Pergunto-me: é ou não necessário investir em meios de combate aos incendios ? Têm-se ou não gasto fortunas a contratar meios a países terceiros, não para prevenção aos incendios, ou o seu combate "in tempo", mas tardiamente, quando esses meios nos são colocados à disposição por aqueles que no-los cedem e mesmo assim dependentes da sua possível necessidade, por parte destes, a qualquer altura, como já aconteceu com Espanha.
Dotar as corporações e a protecção civil de meios é eleitoralista ? Mesmo que o seja dirige-se ao bem comum e, assim, digo convictamente: VIVAM AS MEDIDAS ELEITORALISTAS!