6.1.04

O dia nasce. Com ele renascemos no conforto de uma existência que, mesmo enviezada, oblíqua ou deformada, à nossa percepção - tal qual equilíbrio instável - se vê alimentada dos mais pequenos sortilégios que nos são dados apreciar, saborear, desfrutar, mesmo gozar. O sortilégio da comunhão das ideias, das trocas de palavras, dos risos cúmplices, das artimanhas da mente, dos raciocínios ladinos, do desafio intelectual. E então que dizer de tudo isto mas fora de horas, quando, supostamente, a mente pede descanso mas a alma se revigora, porque no encontro casual das palavras descobre ideias, cumplicidades, razões de sobejo para se manter acordada e pedir aquela que trabalhe, que encontre energias. Momentos assim perduram eternamente, carregados no tempo pelas ondas positivas que geram. Aconteceu-me esta madrugada, com uma Alma amiga

8.8.03

DILEMA

O País arde
Arde como arde a raça, o orgulho, o querer...
A vontade da Nação
O sentido de viver, de vencer

Tudo arde finalmente, físicamente...
À muito ardendo na alma
De quem por amor pátrio se ressente

E que dizer das desculpas, dos arrepios, das curvas acentuadas de
intelectos vazios
De uma classe política indigente, vigente
Que na falta de ideias, carácter e convicções
Arrastam um povo quase milenar mas perdido
Para um fim incerto, sem sentido

Estamos perdidos, sim, porque condenados a não saber que fazer
A fazer que não sabemos
Acatando ordens de quem não as sabe dar
A dar ordens a quem não as sabe escutar

Faltam as ideias, as convicções
Falta galvanizar o povo, a Nação
Falta vencer este fogo, que sem se ver tudo queima
Num caminho espesso, desigual...
Num caminhar errante, brutal...
Na voragem de uma clique sem chama...
Na ausência de Homens que dêm razão ao poema

Falta cumprir Portugal


( João Fernandes )